Foto do Renault Twingo Electric 
Renault / Divulgação

A alta do petróleo provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã está acelerando a migração para veículos elétricos na Europa e favorecendo montadoras como a Renault, além de fabricantes como BYD, Tesla, Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz. Com gasolina e diesel mais caros, consumidores europeus passaram a buscar alternativas menos dependentes dos combustíveis fósseis, impulsionando a demanda por modelos elétricos em diversos mercados do continente.

Embora a Renault tenha sido uma das primeiras montadoras a divulgar números concretos sobre o impacto da crise geopolítica, analistas apontam que o cenário beneficia todo o setor de veículos eletrificados. Fabricantes como BYD, Tesla e Volkswagen já vinham registrando crescimento na Europa e tendem a aproveitar o aumento do interesse dos consumidores por tecnologias menos expostas às oscilações do mercado de petróleo.

Além dos elétricos puros, modelos híbridos e híbridos plug-in também podem ser beneficiados, especialmente em países onde a infraestrutura de recarga ainda está em expansão.

Em entrevista à Reuters, o presidente do Grupo Renault, François Provost, afirmou que a montadora registrou um crescimento de 50% na carteira de pedidos de veículos elétricos em mercados importantes, como França e Alemanha, desde o início do conflito envolvendo o Irã.

A fabricante francesa avalia ainda a ampliação da produção em suas fábricas de veículos elétricos localizadas em Douai e Maubeuge, na França, além da unidade de Novo Mesto, na Eslovênia, com a possibilidade de implantação de turnos extras no segundo semestre.

Petróleo caro reforça a transição energética

O movimento não se restringe à Renault. Dados do mercado europeu mostram que o interesse por veículos elétricos cresceu desde o início da crise geopolítica. Nos quatro primeiros meses do ano, as vendas de carros totalmente elétricos na Europa avançaram 29%, aproximando-se da marca de 1 milhão de unidades comercializadas.

Especialistas avaliam que o aumento dos preços dos combustíveis expõe a vulnerabilidade da dependência do petróleo e fortalece o argumento econômico dos veículos elétricos. Segundo a E-Mobility Europe, a expansão da frota elétrica registrada apenas neste ano já representa uma redução equivalente ao consumo de cerca de 2 milhões de barris de petróleo por ano.

Mesmo que os preços da gasolina e do diesel recuem após uma eventual redução das tensões no Oriente Médio, analistas acreditam que o atual movimento pode acelerar uma tendência que já estava em curso. Além de Renault, fabricantes como BYD, Tesla, Volkswagen, BMW, Mercedes-Benz e Polestar devem continuar se beneficiando da expansão da infraestrutura de recarga, da redução dos custos das baterias e das metas de descarbonização adotadas pelos países europeus.

Dessa forma, a guerra entre EUA e Irã pode acabar tendo um efeito indireto e duradouro sobre a indústria automotiva: acelerar a migração dos consumidores para veículos menos dependentes das oscilações do mercado global de petróleo.

Via: MSN