
Acaba de ser divulgado o relatório anual The Global Automaker Rating (“Classificação Global de Fabricantes de Carros”), do ICCT (Conselho Internacional do Transporte Limpo). O estudo, que classifica fabricantes por suas ações na direção de criar um ambiente automotivo de emissões zero, traz alguns fatos surpreendentes – e outros nem tanto.
O relatório leva em conta dados do ano passado então, entre outros fatores, não mencionam a rápida mudança que está acontecendo no perfil das vendas do Brasil, com elétricos puros se aproximando de 10% dos emplacamentos.
Esta é a lista de fabricantes e como suas notas no ICCT mudaram entre 2024 e 2025:

Em verde estão as empresas consideradas “líderes” em eletrificação, as em laranja estão “em transição”, e em vermelho estão as consideradas “atrasadas”.
As maiores mudanças são a queda de 10 pontos da Stellantis, a subida de 8 da Changan, a movimentação positiva de diversas japonesas na “terceira divisão”, e o rebaixamento da GWM para essa categoria.
Segundo o ICCT, a queda da Stellantis foi causada pela revisão para baixo de suas metas de eletrificação. A Changan, assim como a Mazda, Suzuki e Nissan, teve sua nota melhorada por novos lançamentos. E a GWM caiu de divisão por cancelamentos de modelos elétricos e o reinvestimento em híbridos plug-in – que o ICCT exclui de sua classificação de ZEVs (veículos de emissão zero).
Rebaixamento da BYD por ações no Brasil
Ainda que a BYD tenha até melhorado de nota, e vendido mais elétricos puros que a Tesla em 2025, em um critério ela perdeu pontos: sua influência. Abaixo, a tabela do ICCT mostrando a influência dos fabricantes no processo de eletrificação.

A BYD foi rebaixada em comparação ao ano passado por seus esforços com híbridos no Brasil e também na Indonésia. A marca acaba de lançar um modelo híbrido plug-in flex, o Atto 2 DM-i, e promete mais para breve. Isso é algo que o ICCT, que defende a transição para elétricos a bateria, considera uma forma de dar sobrevida ao transporte poluente.
Todo o lobby negativo vem de montadoras lutando contra padrões de emissões, o que levou ao rebaixamento da Ford. A Geely fica no topo com a Tesla porque sua subsidiária europeia, a Volvo, se opôs praticamente sozinha ao afrouxamento das metas de emissões da União Europeia.
Um dos casos interessantes é o da Volkswagen, que foi promovida por sua campanha em favor de metas na Austrália, mas com uma ressalva nessa categoria. Enquanto individualmente a empresa está avançando em seu processo de eletrificação, ela faz parte de associações, com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), que lutam pela flexibilização das leis.
O que a indústria ocidental (e japonesa) quer?
O ICCT considera o retrocesso de fabricantes ocidentais como a Stellantis como parte de um movimento para plataformas mistas – como a que a Ford está desenvolvendo – que permitem elétricos, híbridos e combustão interna. Esses fabricantes, diz a entidade, sabem que a eletrificação é inevitável, mas procuram ganhar vantagens no curto prazo.
O trecho abaixo deixa claro como a entidade enxerga os movimentos das montadoras.
Enquanto líderes de mercado como a BYD, Geely e SAIC estão expandindo sua pegada global em EVs, outros, incluindo a Stellantis, Honda e GM, tiveram o declínio mais substancial de notas devido às sua revisões de suas metas de EVS para 2030. Essa tendência, que também se estende para a Renault, VW e Kia, reflete uma mudança para plataformas universais e veículos híbridos em paralelo aos elétricos a bateria. Grandes fabricantes ainda reconhecem a mudança irreversível na direção da eletrificação completa: mesmo nas montadoras recuando em suas ambições, as metas para 2030 mostram um crescimento substancial comparado à suas vendas em 2025, apenas numa velocidade mais lenta do que a que ocorreu em mercados em rápida expansão. Essa justaposição destaca uma distância se abrindo entre as companhias apostando tudo na produção de EVs para capturar uma fatia de mercado global e aqueles apostando no mercado em curto prazo e mudanças de políticas.
O relatório completo (em inglês) pode ser baixado aqui.
Via ICCT
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