Carro VW ID. Polo
ID.Polo, o maior sucesso na Europa | VW / Divulgação

É um tanto ser vítima do próprio sucesso: após resultados medíocres com a primeira geração da série ID, a Volkswagen lançou uma nova linha de carros elétricos mais em conta, como o ID.Polo e o ID.Cross. O timing foi perfeito: veio junto com a crise do petróleo causada pela Guerra no Irã, que fez disparar as vendas de EVs na Europa. O problema é atender a essa demanda inesperada.

As informações são da publicação alemã Automobilwoche. Na Alemanha, a demanda da Volkswagen por carros elétricos agora é maior que por modelos a combustão. As filas para adquirir o ID.Polo, que já vendeu mais de 40 mil exemplares desde sua estreia em abril, estão chegando a 10 meses.

Diante disso, numa enorme ironia em comparação aos recuos do ano passado, a fabricante desistiu de planos… para a combustão interna. A empresa planejava aumentar a produção para 600 mil veículos em Wolfsburg, onde são feitos o Golf e Tiguan, mas acabou de desistir, baixando a meta para 580 mil. Os turnos adicionais previstos para essa planta foram cancelados.

Em compensação, as plantas especializadas em EVs, como Emden and Zwickau, e a fábrica em Martorell, na Espanha, devem receber mais turnos para atender à nova demanda.

O que isso pode representar para o Brasil

Recentemente, depois de anos não oferecendo nenhum modelo elétrico em sua linha, exceto para aluguel, a Volkswagen cedeu e lançou o ID.4 no Brasil.

De certa forma, parece uma decisão de 2022, não 2026: trazer um modelo de luxo, com especificações e preço máximos, para um mercado onde a imensa maioria das vendas agora acontece no segmento de entrada. Faria mais sentido trazer o ID.Polo.

Mas as coisas estão mudando rápido. Em março passado, num evento no Peru, o presidente da Volkswagen da América Latina, Alexander Seitz, afirmou que fabricar EVs no Brasil seria “oba oba”, mas que modelos da China deveriam chegar. De lá para cá, os emplacamentos de elétricos no Brasil saltaram de 17.468 para 27.061 – um aumento de 54%, ainda maior que na Europa.

Parece então que a mais tradicional das montadoras tradicionais terá que revisar seus planos por aqui e seguir o que está fazendo em casa.

Via Automobilwoche