Volvo XC60 em foto promocional
XC60 2027 | Volvo Cars / Divulgação

Qual é o sentimento do consumidor ao abandonar a combustão interna e comprar um carro elétrico? Excitação? Orgulho? Em pesquisas com consumidores, a Volvo identificou que eles estavam sentido que estavam fazendo um sacrifício em nome do meio ambiente.

Segundo a fabricante, pesquisas revelaram que clientes interessados em trocar o XC60 por um elétrico e proprietários de modelos como XC40 Recharge e C40 Recharge relataram preocupação com a autonomia, a disponibilidade de carregadores e o tempo necessário para recarregar durante viagens, com um sentimento geral de que estavam renunciando a alguma coisa para terem seus carros.

“Quando eles decidiam sair da gasolina para um carro elétrico, sempre sentiam como um sacrifício”, afirmou Akhil Krishnam, vice-presidente da Linha 60 da Volvo, a jornalistas do Reino Unido esta semana, no lançamento do EX60 no país. “A ansiedade com alcance era um problema real. E outra coisa era a inconveniência de encontrar carregadores e lidar com tudo isso, especialmente se você está fazendo viagens com a família e tal.”

Segundo Krishnam, a resposta da Volvo veio em três partes. Ela trabalhou em aumentar a autonomia, mas também buscou aumentar a velocidade de carregamento e manter o preço do elétrico puro próximo ao da versão híbrida plug-in.

A resposta da Volvo

No EX60, a fabricante utiliza a plataforma SPA3 e uma arquitetura de 800 volts. As versões avançadas (P10 e P12) podem receber até 400 kW em corrente contínua, enquanto a de entrada (P6) se limita a 300 kW. Na versão mais avançada, a Volvo afirma ser possível adicionar mais de 320 km de autonomia em dez minutos em condições ideais de recarga.

A versão P6 chega a 620 km de autonomia pelo ciclo WLTP, enquanto a P10 alcança 660 km. A topo de linha P12, que será disponibilizada posteriormente, chegará a 810,1 km, graças a uma bateria de 117 kWh.

O EX60 também estreia recursos de segurança, incluindo um cinto de segurança que pode adaptar seu funcionamento ao corpo do ocupante e sistemas de assistência baseados em sensores e processamento centralizado.

A arquitetura da bateria também muda em relação aos elétricos anteriores da Volvo. O EX60 é o primeiro modelo da marca a utilizar uma configuração cell-to-body, na qual a bateria passa a integrar a estrutura do veículo. Segundo a Volvo, a solução ajuda a reduzir peso e aumentar a rigidez estrutural.

Nosso take

As respostas dos clientes britânicos da Volvo são um tanto alienígenas no Brasil, onde carros elétricos são percebidos como um benefício pessoal, na forma da economia em combustível e manutenção, e a preocupação ambiental aparece entre as últimas razões para a compra. Mas o “sacrifício” nisso é exatamente o mesmo que no Reino Unido: lidar com a falta de infraestrutura de recarga.

E aqui há uma coisa interessante a acrescentar, que é suportada por pesquisas: a dita ansiedade de autonomia atinge mais quem não tem um carro elétrico e pensa em comprar (como os respondentes da pesquisa da Volvo) do que quem já é proprietário de um. Porque quem tem um carro sabe a distância que ele percorre e cria hábitos de recarga em seus percursos mais comuns.

A ansiedade de autonomia é muito mais a respeito do que pode acontecer se você comprar um carro elétrico do que sobre o que irá acontecer com o carro que você já tem.

Via Car Dealer Magazine