
Uma pesquisa da Zero Emission Transport Association (ZETA), uma coalizão de entidades civis sediada em Washington (EUA), mediu a rejeição a carros elétricos em seu país. O relatório foi publicado no dia 18 de setembro e traz alguns achados inesperados.
O maior deles é que, ainda que carros elétricos tenham sido politizados nos EUA, com a rejeição a eles se tornando parte do ethos conservador ao ponto de o presidente Donald Trump ter chamado donos de EVs de “malucos”, o fator mais importante na rejeição não é orientação política das pessoas.
Abaixo, o gráfico de respondentes que considerariam comprar um veículo elétrico em agosto de 2026:

Algumas explicações: Leste, Oeste, Centro-Oeste, Nordeste e Sul são as regiões dos EUA. “Elite de opinião” são pessoas consideradas influentes, como gerentes, empresários, influenciadores e jornalistas. E suburbano, num contexto americano, é a classe média alta que vive em subúrbios – bairros formados por apenas casas, distantes e isolados. Uma versão mais orgânica dos condomínios fechados no Brasil.
E, nas definições políticas dos EUA, Republicanos (GOP) são apoiadores do presidente Donald Trump, a direita dura, e Democratas (DEM) são a oposição liberal – que vai da esquerda à direita liberal. Independentes (IND) são os que não se identificam com os esses dois partidos, que são os únicos realmente viáveis do país.
É possível ver que republicanos e democratas literalmente estão lado a lado entre os grupos, com um total de 47% dos direitistas republicanos dizendo que considerariam um EV, enquanto democratas são apenas um pouco a mais, 51%.
Quem realmente fica abaixo de todos os grupos são os respondentes com mais de 65 anos: apenas 19% deles considerariam comprar um elétrico. Seguem-se (do percentual mais baixo para o mais alto) pessoas que não têm qualquer experiência com EVs (23%), habitantes de zonas rurais (26%) e a faixa de renda mais baixa (29%).
No topo ficam a dita elite de opinião (77%), as pessoas entre 35 e 49 anos (71%) e as com 18 a 34 anos (69%). Isso deixa claro que, apesar do discurso político, a idade é mais importante do que as preferências políticas em determinar a rejeição aos EVs nos EUA.
O que impede as pessoas de adotarem carros elétricos

Também na pesquisa da ZETA estão os fatores de resistência. O maior deles é o preço de compra muito alto (34%), falta de estações de recarga (31%) e preocupação com a autonomia da bateria (29%).
O que os dados dos EUA podem dizer sobre o Brasil
No que isso nos afeta? Fora os EUA serem um centro de opinião, que exporta suas opiniões para cá (nem sempre de forma orgânica), aqui já sabemos que a eletrificação, felizmente, não foi politizada. Então a conclusão mais importante do estudo muito provavelmente já se aplica a nós.
Por aqui, segundo um estudo recente da Webmotors, 71% das pessoas considerariam um elétrico ou híbrido – note que o “híbrido” faz toda a diferença. Apenas 8,9% dos respondentes considerariam apenas um elétrico puro. 22,6% considerariam tanto um híbrido quanto um elétrico e 39,9% considerariam somente um híbrido. São números bem mais modestos que os 47% dos americanos na contagem geral da ZETA. Parece que os brasileiros não entenderam ainda a diferença de híbrido e elétrico.
Quanto aos grupos resistentes, parece provável que sejam similares por aqui: pessoas com mais idade (menos dispostas a adotar novas tecnologias), o público rural (que precisa de utilitários, que ainda têm baixíssima presença de EVs), o público menos informado e o de baixa renda.
Via ZETA
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