“Transmissão virtual”: Porsche vai adicionar marchas falsas a seus carros elétricos

A moda começou com o Hyundai Ioniq 5 N e parece que começou a pegar; sistema não só imita os sons, mas o comportamento do motor
Atualizado: 4 de dezembro de 2025 04:12

De acordo com fontes da marca ouvidas pelo site de notícias The Drive, a Porsche está dando um jeito de recriar a transmissão manual, com marchas para carros elétricos. Segundo a fonte, a empresa informou a donos de concessionárias nos EUA, em uma reunião fechada em Atlanta, que a tecnologia chamada “transmissão virtual” estreará no Taycan 2027 (esperado para o final de 2026).

O sistema não consiste em apenas marchas psicológicas, como usará software para simular os “trancos” e a variação de torque de uma transmissão real, provavelmente imitando o comportamento do câmbio PDK. Segundo o que vazou, o sistema não será por meio de uma alavanca de câmbio, mas por borboletas atrás do volante, o que é menos visual e tatilmente atraente. Dá para se esperar algo mais ou menos como na foto abaixo.

Volante Porsche com borboletas para troca de marchas do 911 GT3 RS
Borboletas no Porsche 911 GT3 RS | Porsche / Divulgação

Diferente de uma caixa de câmbio física, o sistema é puramente eletrônico. Ele interrompe momentaneamente o torque dos motores elétricos para simular a troca, acompanhado de feedback sonoro e, possivelmente, vibrações no chassi.

Detalhe importante para quem já tem um Taycan na garagem: a fonte indica que não será possível atualizar modelos antigos via software (OTA), pois os carros atuais não possuem as borboletas atrás do volante necessárias para controlar as trocas virtuais.

A novidade deve ser opcional (ativável por botão) e pode chegar também aos futuros elétricos da marca, como as versões EV do 718 Boxster/Cayman.

A Porsche não é a primeira a criar esse tipo de simulação: o Hyundai Ioniq 5 N inaugurou a tendência (mais abaixo).

A palavra do dia: esqueumorfismo

Uma palavra para adicionar ao seu dicionário (vai precisar treinar a pronúncia algumas vezes): esqueumorfismo. É o design de objetos modernos copiando características de objetos antigos. Por exemplo, quando carros eram novidade, foi registrada uma patente de um carro com uma cabeça de cavalo na frente, o Horsey Horseless, que provavelmente não foi construído.

Pateante do Horsey Horseless, carro com cabeça de cavalo
Horsey Horseless | Wikimedia Commons

Um exemplo menos extravagante e moderno de esqueumorfismo é que o símbolo de salvar arquivos seja um disquete de 3 1/2 polegadas, quando já existem duas gerações que nunca usaram esse objeto na vida.

Como alguns fãs de carros, em particular dos esportivos, acreditam que certas características de veículos a combustão interna são parte fundamental da experiência, fabricantes estão inventando métodos esquemorfistas para manter a experiência.

Como o já citado o Ioniq 5 N, que reproduz o barulho do motor a combustão interna por meio de alto-falantes internos, e também possui marchas falsas. Aliás, não é necessariamente combustão interna: há diversas opções para o motorista, algumas com barulhos de ficção científica e até um jato.

A Yamaha foi mais longe e patenteou um design bastante complexo, criando quase um motor inteiro de mentirinha só para gerar vibração, barulho e escape de gás (limpo) – possivelmente complexo demais para ver a luz do dia, mas quem sabe?

Ainda haja certo humor na ideia de motoristas exigindo barulho e vibrações psicológicos, há um ponto a se considerar: dirigir, de fato, envolve mais que visão. A Scout Motors (submarca da Volkswagen) está preparando caminhonetes elétricas com controles físicos à moda antiga – do tipo que faz clic-clac. Isso é considerado uma questão de segurança, para evitar que o motorista fique mexendo em menus na central de mídia, e faz todo sentido.

No caso do esqueumorfismo das marchas e sons, isso dá um feedback sobre velocidade e tração que é ausente de elétricos como são hoje. Carros elétricos já vêm com sons falsos de qualquer forma, porque as leis de alguns países (não o Brasil) exigem que façam isso em baixa velocidade, de forma a alertar aos pedestres. O que pode não dar muito certo é a complexidade adicionada, adicionando manutenção – mas custo de manutenção não é exatamente a maior preocupação de quem compra um Porsche, convenhamos.

Via The Drive

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