De acordo com fontes da marca ouvidas pelo site de notícias The Drive, a Porsche está dando um jeito de recriar a transmissão manual, com marchas para carros elétricos. Segundo a fonte, a empresa informou a donos de concessionárias nos EUA, em uma reunião fechada em Atlanta, que a tecnologia chamada “transmissão virtual” estreará no Taycan 2027 (esperado para o final de 2026).
O sistema não consiste em apenas marchas psicológicas, como usará software para simular os “trancos” e a variação de torque de uma transmissão real, provavelmente imitando o comportamento do câmbio PDK. Segundo o que vazou, o sistema não será por meio de uma alavanca de câmbio, mas por borboletas atrás do volante, o que é menos visual e tatilmente atraente. Dá para se esperar algo mais ou menos como na foto abaixo.

Diferente de uma caixa de câmbio física, o sistema é puramente eletrônico. Ele interrompe momentaneamente o torque dos motores elétricos para simular a troca, acompanhado de feedback sonoro e, possivelmente, vibrações no chassi.
Detalhe importante para quem já tem um Taycan na garagem: a fonte indica que não será possível atualizar modelos antigos via software (OTA), pois os carros atuais não possuem as borboletas atrás do volante necessárias para controlar as trocas virtuais.
A novidade deve ser opcional (ativável por botão) e pode chegar também aos futuros elétricos da marca, como as versões EV do 718 Boxster/Cayman.
A Porsche não é a primeira a criar esse tipo de simulação: o Hyundai Ioniq 5 N inaugurou a tendência (mais abaixo).
A palavra do dia: esqueumorfismo
Uma palavra para adicionar ao seu dicionário (vai precisar treinar a pronúncia algumas vezes): esqueumorfismo. É o design de objetos modernos copiando características de objetos antigos. Por exemplo, quando carros eram novidade, foi registrada uma patente de um carro com uma cabeça de cavalo na frente, o Horsey Horseless, que provavelmente não foi construído.

Um exemplo menos extravagante e moderno de esqueumorfismo é que o símbolo de salvar arquivos seja um disquete de 3 1/2 polegadas, quando já existem duas gerações que nunca usaram esse objeto na vida.
Como alguns fãs de carros, em particular dos esportivos, acreditam que certas características de veículos a combustão interna são parte fundamental da experiência, fabricantes estão inventando métodos esquemorfistas para manter a experiência.
Como o já citado o Ioniq 5 N, que reproduz o barulho do motor a combustão interna por meio de alto-falantes internos, e também possui marchas falsas. Aliás, não é necessariamente combustão interna: há diversas opções para o motorista, algumas com barulhos de ficção científica e até um jato.
A Yamaha foi mais longe e patenteou um design bastante complexo, criando quase um motor inteiro de mentirinha só para gerar vibração, barulho e escape de gás (limpo) – possivelmente complexo demais para ver a luz do dia, mas quem sabe?
Ainda haja certo humor na ideia de motoristas exigindo barulho e vibrações psicológicos, há um ponto a se considerar: dirigir, de fato, envolve mais que visão. A Scout Motors (submarca da Volkswagen) está preparando caminhonetes elétricas com controles físicos à moda antiga – do tipo que faz clic-clac. Isso é considerado uma questão de segurança, para evitar que o motorista fique mexendo em menus na central de mídia, e faz todo sentido.
No caso do esqueumorfismo das marchas e sons, isso dá um feedback sobre velocidade e tração que é ausente de elétricos como são hoje. Carros elétricos já vêm com sons falsos de qualquer forma, porque as leis de alguns países (não o Brasil) exigem que façam isso em baixa velocidade, de forma a alertar aos pedestres. O que pode não dar muito certo é a complexidade adicionada, adicionando manutenção – mas custo de manutenção não é exatamente a maior preocupação de quem compra um Porsche, convenhamos.
Via The Drive