
Um sistema de carregamento sem fio que é mais potente que um wallbox e desperdiça muito menos energia que carregadores rápidos ou lentos comuns: essa foi a criação de um grupo de físicos e engenheiros de materiais da China e do Reino Unido.
O grupo é formado por pesquisadores do Instituto Dongguan de Ciência de Materiais e Tecnologia, em conjunto com a Universidade da Cidade de Hong Kong e a Universidade de Cambridge. Seu sistema se baseia em núcleos pesados de ferrite para direcionar os campos magnéticos.
Ferrite (ou ferrita, ou ferro-alfa) é um material formado por ferro puro com uma estrutura cristalina peculiar, que a torna especialmente útil em aplicações com eletromagnetismo. Por isso, ela é desejável em carregadores por indução magnética, que operam sem fio, transferindo energia por campos magnéticos – basicamente o mesmo que o carregador sem fio para celular encontrado nos próprios carros.
O problema com a ferrite é que ela tende a superaquecer e perder sua eficiência quando a potência é aumentada. Acaba sendo útil apenas em aplicações menores que carregar veículos elétricos.
Os cientistas conseguiram criar um tipo de ferrite capaz de conduzir correntes maiores usando um processo de recozimento, que consiste em aquecer um material a uma temperatura acima da recristalização, então resfriá-lo gradualmente.
Com o novo processo, foi possível criar carregadores sem fio com capacidade de 20 kW. É bem pouco se comparado a carregadores rápidos (que podem ter 75 vezes mais velocidade) e até mesmo outras propostas de carregamento sem fio, como a estrada que carrega veículos criada na França, que é dez vezes mais potente. Mas o sistema proposto é barato e bem mais rápido que um wallbox doméstico – os mais capazes desses têm capacidade próxima a 11 kW.
Na prática, significa que veículos poderiam carregar andando em velocidades moderadas (até cerca de 80 km/h). A ideia dos cientistas vai além de carregadores em movimento: ela poderia também ser usada para robotáxis, veículos automáticos industriais, trens a bateria, e até mesmo aeronaves elétricas (que teriam que voar baixo para funcionar).
10 vezes menos desperdício
Por fim, a parte mais promissora é a eficiência do sistema: 98,51%. Significa que menos de 1,5% da energia injetada no sistema é desperdiçada. Carregadores típicos desperdiçam 10 vezes mais energia que isso. Assim, a tecnologia poderia ter um grande impacto mesmo se usada de forma estacionária em carregamento comum de baixa potência.
A equipe afirma que já está na fase de transformar o protótipo em uma aplicação comercial. Se pegar, não vai ser algo com impacto imediato, porém: diferente de celulares, carros não vêm de fábrica podendo carregar por indução. Seriam necessários carros já pensados para ter essa capacidade. Por hoje, o Tesla Cybertruck e alguns outros poucos modelos têm sistemas para carregamento a indução. Mas são sistemas proprietários, compatíveis apenas com carregadores que os fabricantes prometeram lançar.
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