Emplacamentos de carros elétricos puros no Brasil sobem 108% em um ano

Números são do acumulado no primeiro bimestre; no topo da preferência de pessoas físicas, veículos elétricos seguem solenemente ignorados pelo setor comercial
Atualizado: 9 de março de 2026 06:03
Hyundai Ioniq 6
Hyundai Ioniq 6 | Yrka Picture / Unsplash

Segundo o relatório mais recente da Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores), o número de emplacamentos de carros elétricos puros (BEV) primeiro bimestre de 2026 foi 107,94% maior que no mesmo período em 2025. Contando apenas fevereiro, o aumento anual foi de 93,65%.

No bimestre, a categoria de eletrificados como um todo subiu 70% (com híbridos subindo 57,35%, bem menos que elétricos puros).

Em fevereiro, a proporção de elétricos puros nas vendas no Brasil foi de 6,15% e a de eletrificados como um todo, 19,85% – ambos os números sendo máximas históricas. Em 2025, os percentuais eram, respectivamente, 3,3% e 11,95%.

No total de eletrificados, os elétricos puros representavam 27,74% em fevereiro de 2025 e hoje representam 31,03%.

BYD se consagra campeã

Grande parte desse sucesso pode ser atribuído a uma montadora e um modelo: a BYD e seu Dolphin Mini, que foi o carro mais popular entre os consumidores pessoa física (varejo) no Brasil em fevereiro.

Após perder um pouco de seu domínio nos últimos meses, com a chegada de um concorrente muito forte – a Geely, que está vendendo mais que a BYD na China. Os números da BYD haviam caído de mais de 70% para 62,37% das vendas de elétricos puros em janeiro deste ano. Mas se recuperaram em fevereiro e chegaram ao domínio completo de 78,10%.

A Geely parece ter perdido seu fôlego, com as vendas caindo de 1.137 para 443 entre um mês e outro – 62% a menos. Aparentemente, o estoque do EX2, seu sucesso explosivo de vendas, simplesmente se esgotou, assim como suas promoções de lançamento.

Outra grande notícia para a BYD: em vendas no varejo, ela se confirma pelo terceiro mês seguido como o segundo maior fabricante do país, após a Volkswagen. Sua fatia de mercado no varejo subiu de 10,75% em janeiro para 13,47% em fevereiro.

Na lista dos 5 carros mais vendidos aos consumidores de varejo, há dois carros das BYD: o Dolphin Mini (claro) e o híbrido plug-in Song. É o único fabricante com dois modelos nessa lista.

Empresas brasileiras fingem que elétricos não existem

Em números gerais – contando aí vendas diretas, que só ocorrem para empresas, produtores rurais e PCDs – a BYD não é tão espetacular assim. O Dolphin Mini é o décimo carro mais vendido do Brasil e a BYD é “só” a quinta maior montadora de autos.

O que nos leva ao lado negativo da notícia. Ainda que esses números sejam uma notícia espetacular para a evolução do mercado brasileiro, há também um fato importante: eles refletem apenas a preferência de pessoas físicas. A eletrificação segue absolutamente ignorada pelo setor comercial.

Isso se mede nos próprios carros, em vendas diretas. O Dolphin Mini sequer aparece na lista dos 50 carros mais vendidos. O híbrido Song tem 535 unidades (1/6 do varejo). O elétrico puro mais vendido em venda direta é o Volvo EX30, com 151 unidades (ele não está entre os 50 mais vendidos na lista geral).

O contraste também é gritante em comerciais leves, onde os números de eletrificados são irrisórios: 381 no acumulado no primeiro bimestre, sendo apenas 34 desses elétricos puros. Isso é 0,5% dos comerciais leves vendidos no Brasil no período. Em caminhões, o número acumulado no primeiro bimestre é 43, ou 0,33%. Em ônibus, 91, ou 2,65%.

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