Estudo confirma queda na poluição causadora de doenças respiratórias com a adoção de carros elétricos

Pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia mostrou queda na concentração de NO₂, poluente causador de doenças doenças letais, correspondente à eletrificação local
Atualizado: 2 de fevereiro de 2026 02:02
Pessoa usando bomba de bronquite
Bomba de bronquite | Cnordic Nordic / Pexels

Os benefícios da eletrificação não afetam apenas a atmosfera como um todo e o clima mundial, mas também efeitos locais na qualidade do ar. O motivo é óbvio: ao se remover uma origem de poluentes (a combustão interna, mesmo com biocombustíveis), os poluentes diminuem. Mas uma coisa é a teoria, outra é medir isso na prática. Um estudo publicado nesta semana no journal The Lancet confirma, com dados de satélite de alta precisão, a melhora na poluição que já aconteceu efetivamente onde carros elétricos foram adotados, mesmo em números modestos.

A pesquisa, conduzida pela Universidade do Sul da Califórnia (USC) e financiada parcialmente pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA, analisou dados reais de 2019 a 2025, cruzando o registo de veículos com medições atmosféricas diárias.

Os cientistas focaram no dióxido de nitrogênio (NO₂). Esse é um dos mais nocivos componentes da poluição local e principal gatilho para ataques de asma, bronquite e doenças cardiovasculares.

O estudo dividiu o estado da Califórnia em 1.692 vizinhanças, de tamanho similar às usadas no código postal dos EUA, utilizando dados do satélite Sentinel-5P (instrumento TROPOMI) para medir a poluição real em cada uma delas. A concentração de NO₂ é medida pela forma como o gás absorve ou reflete a luz do sol.

A conclusão foi que, para cada 200 veículos de emissão zero (ZEV, o que na prática equivalente a veículo elétrico a bateria, mas poderia ser célula eletroquímica também) adicionados numa vizinhança, os níveis de NO₂ caíram, em média, 1,1%. Cada vizinhança, em média, adicionou 272 NEVs, com o número variando entre 18 e 839.

Ainda que o número seja relativamente modesto, também é modesto o total de EVs circulando. No período medido, a frota circulante da Califórnia teve uma mudança de 2% para 5% de NEVs em sua composição. Segundo o estudo, uma transição de 100% seria capaz de diminuir as concentrações de NO2 em 61% nos EUA, e até 80% na China.

“Ainda nem chegamos lá em matéria de eletrificação, mas nossa pesquisa mostra que a transição para veículos elétricos já está fazendo diferença mesurável no ar que respiramos”, irmou Sandrah Eckel, autora principal do estudo e professora da Keck School of Medicine.

Um estudo de 2023 pela mesma equipe, com métodos similares de divisão geográfica, já havia constatado que a cada 20 NEVs adotados, houve uma queda de 3,2% das internações por asma. Em 2021, a ONU calculou que a poluição atmosférica causou 8,1 milhões de mortes mundiais – o que é mais do que a pandemia de Covid-19 registrou no mesmo ano.

Via Keck School of Medicine – USC

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