
Apesar da onda de más notícias que assolaram a indústria de veículos elétricos em 2025, o mercado global está longe de atingir o seu pico. Pelo contrário: se hoje temos um recuo por conta de maus resultados de montadoras ocidentais e na política fiscal nos EUA (no Brasil, é um pouco diferente), o que está por vir é uma expansão massiva que fará o setor mais do que duplicar de tamanho na próxima década. Essa é a conclusão do novo relatório de inteligência competitiva divulgado hoje pela Research and Markets. Segundo ele A indústria deverá registar um crescimento acumulado superior a 137% nos próximos oito anos.
O relatório de 200 páginas é intitulado Competitor Analysis of Electric Vehicles Market Recent Developments, Company Strategies, Sustainability Benchmarking, Product Launches, Key Persons, and Revenue Forecasts (“Análise competitiva do mercado de veículos elétricos: desenvolvimentos recentes, estratégias empresariais, medições de sustentabilidade, lançamentos de produtos, figuras centrais e previsão de entradas”). A análise projeta uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 11,43% entre 2025 e 2033. Em termos práticos, isto significa que um mercado avaliado em cerca de US$ 600 bilhões ao final de 2024 saltará para a casa dos US$ 1,58 trilhões no final do período.
Quem assina a projeção?
Para chegar a estes números, a Research and Markets — empresa de pesquisa irlandesa que afirma prover dados para 450 das listadas na Fortune 500 — aplicou uma metodologia estatística e econométrica ampla, numa análise que pode ser vista até como conservadora.

O estudo baseia-se em investigação primária com os, digamos, “donos da caneta” da indústria automóvel. O estudo compilou dados junto de CEOs, Vice-Presidentes e diretores de vendas das maiores montadoras globais, analisando em detalhes 15 grandes empresas: Tesla, BMW Group, BYD Company, Mercedes-Benz Group AG, Ford Motor Company, General Motor Company, Missan Motor Co. Ltd., Toyota Motor Corporation, Volkswagen Group, Geely Auto Group, Hyundai Motor, Stellantis, Li Auto, Chery Automobile e GWM.
Os números foram auditados por especialistas internos e líderes de opinião do setor de banca e investimento. O documento afirma que a chave para capturar esta valorização de 137% estará na capacidade das empresas de executarem fusões estratégicas, melhorarem a infraestrutura de carregamento e, crucialmente, provarem a sustentabilidade real das suas cadeias de produção.
“A demanda por veículos elétricos está aumentando ao redor do mundo, movida por um conjunto de fatores”, afirma o estudo. “A preocupação crescente com a mudança climática e com o meio ambiente levou a consumidores a buscar por alternativas mais verdes. Os governos também estão contribuindo come essa tendência ao prover incentivos na forma de descontos em impostos, subsídios e financiamentos para encorajar o uso de EVs. Além disso, avanços na tecnologia de bateria tornaram o alcance e o desempenho de bateria de veículos elétricos muito melhores, aumentando seu apelo aos consumidores.”
Um consenso que parece estar se estabelecendo na indústria é de que a fase inicial dos carros elétricos primariamente como produtos de elite está encerrada. O futuro está na popularização:
“A expansão na rede de carregamento também está impulsionando a tendência, ajudando a vencer problemas com ansiedade de autonomia. Grandes fabricantes estão aumentando suas ofertas de EVs, lançando novos modelos que têm apelo para uma base consumidora mais ampla. Isso está fazendo de veículos elétricos uma parte do transporte diário, abrindo caminho para um futuro mais verde mais limpo.”
Para investidores, a mensagem de que a “corrida do ouro” elétrico não acabou; está apenas se consolidando para a próxima reta.