Lamborghini cancela seu único projeto elétrico, o Lanzador, dizendo que demanda é “perto de zero”

Supercarro será transformado em híbrido plug-in; CEO diz que o a marca irá produzir veículos a combustão interna pelo “maior tempo possível”
Atualizado: 23 de fevereiro de 2026 03:02
Foto do modelo cancelado Lamborghini Lanzador
O protótipo cancelado Lanzador | Lamborghini / Divulgação

Em uma entrevista ao jornal britânico The Times, o CEO da Lamborghini, Stephan Winkelmann, anunciou o cancelamento do único projeto elétrico puro (BEV) da marca, que seria chamado Lanzador. No lugar disso, um híbrido plug-in deve ser produzido.

Winkelmann fez bem mais do que cancelar um veículo na entrevista. Ele afirmou que criar EVs corria o risco de se tornar uma “hobby caro” para a Lamborghini e que irão produzir motores a combustão interna “pelo maior tempo possível”. Ainda afirmou que, após um ano de discussões internas e com analistas, consumidores e vendedores, notou o interesse dos consumidores da marca em carros elétricos puros era “perto de zero”.

“Investir pesado no desenvolvimento de EVs quando o mercado e a base de consumidores não está pronto para isso seriam um hobby caro, e financeiramente irresponsável com investidores, consumidores, nossos empregados e suas famílias”, afirmou o CEO.

Seguindo ele, “Híbridos plug-in oferecem o melhor de ambos os mundos, combinando a agilidade e o torque imediato da tecnologia de baterias elétricas com a emoção e poder de um motor de combustão interna”.

Stephen Winkelmann | Divulgação

Como isso se encaixa com a legislação europeia? “Temos uma grande tarefa na indústria automotiva. Todos estão falando de 2035, mas existe uma grande data que é muito perigosa que é 2030, por conta das emissões. E isso é algo que não está claro o suficiente, em minha opinião, hoje.”

Pela regra em vigor na União Europeia, em 2030, os carros novos devem ter 55% de redução na sua emissão de CO2 em comparação com 2021. A meta para 2035 é 90% (antes era 100%).

Winkelmann ainda respondeu ao Times sobre a Lamborghini desenvolver carros elétricos no futuro: “Nunca diga nunca, mas quando for o tempo correto. Pelo futuro visível, somente PHEVs. Iremos continuar a desenvolver a eletrificação porque também precisamos estar prontos”.

Nem todos os fabricantes de supercarros europeus estão no mesmo barco: a rival Ferrari segue adiante com seu Luce. O carro terá um truque para manter a “emoção”: amplificar os sons naturais dos motores elétricos.

Nosso take

As falas de Winkelmann dão a entender que ele considera a meta de emissões de 2030 uma ameaça a seu negócio – talvez indicando um lobby de fabricantes também contra ela (seria essa a “grande tarefa”?). E que a Lamborghini nunca parece ter levado muito a sério a ideia de que carros elétricos são o futuro – era apenas um “hobby”.

Pode ser miopia, e um erro estratégico da Lamborghini. Pode ser que, em 2035, donos de hipercarros elétricos chineses ultrapassem donos de Lamborghini com um sorriso satisfeito. Mas também não é surpreendente que o mercado de supercarros tenha uma demanda menor por eletrificação.

Um supercarro não é um carro. Não é um equipamento prático. É um símbolo de status, ligado ao nome da marca e seu histórico – que é inteiro a combustão, com o motor sendo a parte mais importante desse legado. E o ruído e vibração são as manifestações perceptíveis ao condutor, já que usar realmente o potencial do motor fora de uma pista é simplesmente ilegal. Possuir um supercarro é um statement, dizer que você não está na mesma categoria que os outros. Quem faz essa afirmação quer que os outros escutem, não só vejam.

E o momento hoje é o no qual o país mais rico do mundo, apoiado por grande parte de sua elite do setor de tecnologia (clientes em potencial da Lamborghini), se volta contra qualquer regulamentação ambiental, prometendo usinas de carvão para alimentar datacenters de IA. Não é controverso dizer que a preocupação com o ambiente dos ultrarricos parece não estar exatamente em seu auge. E que montadoras enxergam nos EUA uma reserva de mercado promissora para manterem a combustão interna, como Winkelmann admitiu, “pelo maior tempo possível”.

Via The Times

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