
A Tesla apresentou seu relatório de resultados final de 2025 e, pela primeira vez em sua história, apresentou uma queda na sua renda bruta, de 3%, que foi de 97,960 bilhões em 2024 para US$ 94,827 bilhões em 2025. O lucro bruto da empresa também apresentou uma queda de 2%, de US$ 17,450 bi para US$ 17,094 bi – mas aí já é uma tendência desde 2023. Na reunião com acionistas onde esses resultados foram apresentados, a Tesla também cancelou os modelos S e X.
Os números escondem uma informação ainda mais negativa: a Tesla apresentou apenas 3% de queda porque teve um aumento significativo de sua renda vinda de outros negócios que não veículos. Essa caiu 10%, para US$ 69,562 bi, representando uma quedas total de 16% de queda acumulada desde 2023, o melhor ano em vendas com US$ 82,419 bilhões gerados. O que segurou a queda foram serviços (como abastecimento, ou as assinaturas de seus pacotes de software pare veículos) e geração e armazenamento de energia (principalmente baterias estacionárias para geração eólica ou solar). A renda em serviços subiu 19%, e a em armazenamento, 27%.
Tesla cancela modelos
Para acompanhar o mau resultado, a Tesla anunciou a diminuição de sua linha. Na reunião para acionistas, o CEO Elon Musk anunciou o fim para os Tesla Model S e Model X, dizendo que era um momento “triste”, mas necessário. “É a hora de encerrar os programas do Model S e X com uma dispensa honrosa, porque estamos nos movendo para um futuro baseado em autonomia”, afirmou. “Se você está interessado em comprar um Model S ou X, agora é a hora de encomendar”.
Quanto à decisão de acabar com os modelos em si, não é muita surpresa. Há a percepção de que a Tesla precisa desesperadamente de inovação com o fiasco do Cybertruck. Os modelos cancelados eram antigos, iniciados em 2012 (S) e 2015 (X). Representavam apenas 3% das vendas da empresa, com pouco mais de 50 mil unidades e, 2025 – o maior sucesso é o Model Y, estreando em 2020, que vendeu 1,5 milhão de unidades no ano passado.
A Tesla ainda enfrentou uma queda de vendas no último trimestre, que era completamente esperada, pelo fim do subsídio de US$ 7.500 nos EUA. Mas ainda sua participação no mercado aumentou no período, com a Tesla se firmando como o maior player do setor no seu país natal.
Análise: as promessas da Tesla
O que interessa realmente para o futuro da Tesla é a conversa de mudar completamente o negócio da empresa: Musk, em seu estilo vendedor típico, chamou o Optimus de “maior produto de todos os tempos” na chamada dos acionistas, prometendo começar a produção até o fim do ano. A outra promessa é com inteligência artificial, com a Tesla investindo US$ 2 bilhões na xAI, e, o que é ligado à AI, robotáxis, com o Tesla Robotaxi iniciando seus testes sem a presença de condutores de emergência em dezembro (e, aparentemente, agora eles voltaram).
A decisão de anunciar – ou na verdade reforçar, pela enésima vez – um “distanciamento” do negócio de carros tanto vêm em cima de uma má notícia envolvendo vendas como é parte da estratégia de evitar que a Tesla seja avaliada como uma montadora – ou pior: uma montadora em decadência. Os investidores contemplarem Musk com maior pacote de bônus da história, tornando-o possivelmente o primeiro trilionário, é porque é o “gênio” que permite esse futuro no qual os carros não importam mais.
Empresas mudarem completamente de ramo (ou nem tão completamente no caso do Robotaxi) não é comum, mas não é impossível. A Nintendo começou vendendo cartas de baralho. A Nokia era um fabricante de papel. E o megaconglomerado de investimentos Berkshire Hathaway começou produzindo tecidos.
Robôs humanoides, IA e robotáxis podem ser mesmo o futuro. Mas nenhum desses é um produto real da Tesla até o momento, nem a Tesla parece estar na frente de seus concorrentes em qualquer dessas áreas. A xAI está envolvida num escândalo envolvendo a criação de imagens pornográficas de menores pelo Grok no X – e a própria viabilidade comercial da IA generativa ainda é uma questão em aberto. Robôs humanoides já têm diversos modelos disponíveis no mercado. E a Tesla até hoje não atingiu a certificação de autonomia nível 3 (permitindo ao motorista largar do volante) no seu sistema autônomo. O maior concorrente, o robotáxi da Waymo, já circula há quase 10 anos sem a presença de humanos e está em operação comercial – e, mesmo com isso tudo, ainda opera em um número limitado de cidades.
Mas com a capitalização de mercado (a soma do valor das ações na cotação atual) da Tesla sendo maior que os 15 maiores concorrentes somados, resta ao investidor ou acreditar nesse futuro (e em Musk) ou ver seu investimento virar poeira, no momento em que a Tesla for avaliada como um fabricante de automóveis.
(P.S.: Os investidores não parecem ter comprado muito a conversa, com as ações da Tesla registrando 4% de queda até o momento.)
Via: Tesla