Quanto um carro elétrico economiza em manutenção? Concessionárias respondem

Entenda aqui não só quanto, mas por que um elétrico acaba sendo bem mais barato em termos de manutenção (e de quanto em quanto tempo fazer)

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Publicado em: 5 de novembro de 2025

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Editado em: 5 de novembro de 2025 04:11

Foto de mulher mecânica dando manutenção em carro, sob o elevador
Pexels / Pixabay

Como os motoristas de aplicativo estão descobrindo, ainda que EVs sejam mais caros na concessionária, essa diferença tende ser compensada rapidamente na forma como um carro elétrico economiza em várias despesas típicas do uso de um carro.

Um dos fatores mais óbvios é o combustível: dependendo de onde se carrega (casa ou eletroposto), do custo local da eletricidade, e da economia do veículo em questão, o custo para mover um carro pode ser mais de 75% mais barato em BEVs do que usando combustíveis no posto (cálculo da BYD).

Um outro fator tão importante quanto, mas mais difícil de calcular, é o da manutenção. Geralmente, se você compra um carro mais caro, espera também que a manutenção tenda a ser mais cara. No caso do elétrico, porém, isso não se aplica.

Revisão mais rápida e menos frequente

Segundo a Osten Motors, rede de concessionárias do Osten Group, as despesas com a substituição de itens obrigatórios em carros 100% elétricos chegam a ser até 50% menores do que em veículos a combustão.

A razões são múltiplas. Segundo Caroline Rocha, Gerente Regional de Pós-Venda da Osten Motors, está na própria concepção do veículo elétrico. Ele possui uma quantidade muito menor de componentes mecânicos que devem ser inspecionados e um número inferior de peças que precisam ser substituídas.

“A eletrificação automotiva representa um novo paradigma em termos de manutenção preventiva. E os consumidores ainda estão buscando entender e se adaptar a essa mudança”, afirma Caroline.

O grupo, que representa marcas como BYD e BMW, detalha que cada montadora adota uma estratégia diferente. No caso dos modelos 100% elétricos da BYD, como o Dolphin, Dolphin Mini, Yuan e Seal, a manutenção é definida por um prazo fixo: 12 meses ou 20.000 km. Este intervalo é o dobro do prazo geralmente indicado para os veículos a combustão.

Eduardo Santos, Gerente de Pós-Vendas da BYD Osten, informa que o tempo de serviço também é menor, com o veículo disponível para o cliente em cerca de 2,5 horas. Conforme o manual, nas manutenções ímpares (como a de 20.000 km), apenas o filtro do ar-condicionado é substituído. Nas manutenções pares (como a de 40.000 km), além desse filtro, são trocados apenas os fluídos de freio e de transmissão.

Um elétrico puro economiza bem mais que um híbrido também, porque esse tem um motor a combustão interna. Nos modelos híbridos da BYD, como a linha Song, o King e o Shark, a manutenção preventiva ocorre a cada 12.000 km ou 12 meses. Santos ressalta que, por terem mais componentes que um elétrico puro (um motor a combustão e um elétrico), o tempo de parada na oficina é praticamente o mesmo de um carro convencional.

Avisos automáticos

A BMW, por outro lado, utiliza uma estratégia diferente em seus modelos elétricos e híbridos. Não há um prazo ou quilometragem pré-definida para a revisão. O momento certo é indicado pelo próprio carro por meio de um software embarcado chamado Condition Based Service (CBS).

“A forma como o veículo é utilizado é o fator determinante do prazo para realização da manutenção”, observa Marcelo Tavares, Gerente de Pós-Vendas da BWM Osten – Barra Funda. Ele explica que o CBS analisa o uso real do carro: “Se tomarmos como referência dois proprietários de um mesmo modelo de BMW que rodam cerca de 50 km por dia, a necessidade de manutenção de cada veículo será diferente, dependendo de fatores como o trajeto que eles realizam, se circulam em um centro urbano ou na estrada, e das condições do trânsito”.

Na prática, o carro avisa quando a manutenção é necessária. Segundo Tavares, os intervalos médios para os carros elétricos da BMW ocorrem a cada dois anos. Já os modelos híbridos realizam a manutenção pelo menos uma vez por ano, variando conforme o uso. O gerente da BMW Osten também destaca que proprietários de híbridos que rodam majoritariamente no modo elétrico acabam prolongando a vida útil dos componentes do motor a combustão. (E, de quebra, usado no modo elétrico, o híbrido economiza também em combustível na mesma proporção que um elétrico.)

Um fato interessante: a maior fonte de dúvidas que leva novos proprietários de eletrificados à concessionária não é a mecânica, mas sim a tecnologia embarcada. Eduardo Santos, da BYD Osten, afirma que as dúvidas sobre configurações do carro são a principal razão pela qual o cliente procura o pós-venda.

“Os carros elétricos são como os telefones celulares: no uso diário, apenas as funções básicas são necessárias. Por isso, surgem dúvidas quando o cliente quer acessar um recurso adicional”, compara Santos. As dificuldades, segundo ele, vão desde uma luz que não acende ou o travamento das portas que não ocorre como desejado, até o controle do ar-condicionado.

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