Tácio Lorran: Ministério da Fazenda vê indícios de pirâmide financeira na Lecar, do “Elon Musk brasileiro”

Coluna de jornalista no Metrópoles afirma ter um relatório do MF com indícios contra o prometido fabricante nacional de carros eletrificados
Atualizado: 13 de abril de 2026 03:04
Home Page da Lecar
Home page da Lecar | Reprodução

As informações são da coluna do jornalista Tácio Lorran no portal Metrópoles, que afirma ter obtido um relatório da Secretaria de Prêmios e Apostas Esportivas do Ministério da Fazenda. Essa nota técnica, segundo a coluna, aponta para indícios de pirâmide financeira na Lecar – a prometida fabricante nacional de carros eletrificados.

A Lecar é criação do autointitulado “Elon Musk brasileiro” Flávio Figueiredo Assis, dono de uma operadora de cartões. Ela surgiu em 2022, marcando como seu ponto de partida a compra de um Tesla Model Y para fazer “engenharia reversa”.

Inicialmente prometia carros elétricos produzidos no Rio Grande do Sul, depois o modelo mudou para um híbrido não plug-in com gerador, “livre de dependência das tomadas”, com um design totalmente diferente e a fábrica no Espírito Santo. No meio disso, Assis chegou a dizer que produziria na China, mas voltou atrás.

No último Salão do Automóvel, apareceram com um mock-up de isopor de um novo modelo, a caminhonete Campo, cujas rodas travadas estavam sobre rodinhas.

Caminhonete Lecar Campo no evento do pré-lançamento do Salão do Automóvel de São Paulo
Mockup da caminhonete Campo no Salão do Automóvel, com as rodinhas vísíveis | Fábio Marton / evdrops

A Lecar começou oferecendo pré-vendas do seu modelo principal, o Lecar 459, a R$ 159.300,00, dividido em parcelas – não era possível comprar à vista, mas em até 72 vezes para receber na metade do plano, ao estilo consórcio. No momento, o site indica que as reservas estão suspensas até junho.

A promessa hoje é que a fábrica no Espírito Santo comece a operar no fim de 2027, com capacidade para 120 mil carros por ano.

O que o MF identificou como problema

A Lecar opera um sistema de compra programada para seus veículos (que não é autorizado, segundo o MF), e também habilita novos concessionários.

O relatório obtido pela coluna acusa a Lecar de ser um esquema pirâmide por quatro indícios:

  1. Exige pagamento de taxa de adesão para quem quiser atuar como revendedor;
  2. Vende promessa de entrega futura sem produto validado;
  3. Emprega gatilhos psicológicos de urgência e escassez para pressionar adesões imediatas;
  4. Declara expressamente depender da adesão de novos consumidores para suprir o fluxo de caixa.

O último seria basicamente uma admissão de culpa: um esquema Ponzi (ou pirâmide financeira) depende da entrada de novos participantes para parar de pé.

“A promessa de ‘ganhos robustos sem investimentos’ constitui forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta, pois inexiste no mercado lícito remuneração substancial sem aporte de capital ou trabalho qualificado”, afirma o relatório, segundo o Metrópoles. “Esta terminologia é amplamente reconhecida pela CVM [Comissão de Valores Mobiliários] e pelos Procons como marcador típico de esquemas que prometem rendimentos desvinculados de atividade econômica real.”

Importante notar: não há no momento uma acusação formal contra a Lecar, apenas um documento aparentemente vazado para a coluna de Tácio Lorran.

Nosso take

Não seria impossível surgir um fabricante nacional de carros elétricos – provavelmente começando numa escala bem mais modesta do que a Lecar diz estar fazendo. As barreiras de entrada são menores por conta da simplicidade mecânica. Isso que é algo que se perde ao se prometer um híbrido, e essa decisão aponta para os problemas na Lecar: todas as mudanças de planos e a ausência de um protótipo funcional não colaboram com a credibilidade do projeto – sendo extremamente generoso.

É o que já dissemos sobre a Verge Motorcycles / Donut Lab e sua promessa de bateria em estado sólido: gostaríamos que fosse verdade, mas não vamos recomendar a ninguém colocar seu dinheiro nisso.

Entramos em contato com a Lecar. Atualizaremos esta matéria quando tivermos uma resposta.

Via Metrópoles

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