Presidente da Geely diz que veículos elétricos a bateria são muito pesados e defende aposta em metanol

Fabricante tem um programa de metanol há mais de 20 anos, e conta com o apoio do governo, mas é algo incomparável com o etanol no Brasil
Atualizado: 13 de abril de 2026 05:04
Li Shufu, presidente da Geely, no Fórum de Desenvolvimento de Veículos Elétricos Inteligentes de Alto Nível
Li Shufu em telão no evento | Autohome / Reprodução

No Fórum de Desenvolvimento de Veículos Elétricos Inteligentes de Alto Nível, que aconteceu nos último fim de semana em Beijing, o presidente da Geely, Li Shufu, defendeu os investimentos de sua empresa em metanol.

Citando decisões recentes do governo chinês em estabelecer uma base energética eólica, solar, de hidrogênio, de amônia e de metanol, o executivo falou na sua escolha para combustível alternativo. Ele mencionou que o metanol tem 10 vezes mais densidade energética que baterias de íon de lítio e veículos a metanol com a mesma capacidade de carga pesam metade do que veículos a bateria. Assim, ele diz, no transporte pesado, um veículo a metanol oferece mais economia e maior redução de emissões no ciclo de vida.

“Veículos com bateria de íon de lítio já são amplamente utilizados na China com excelentes resultados e são muito populares entre os usuários”, afirmou Shufu. “Porém, como o peso de um veículo elétrico de íon de lítio é equivalente a dois veículos elétricos a metanol, veículos elétricos a metanol têm um potencial para pesquisa e desenvolvimento significativo. É por isso que a Geely persistiu em pesquisar veículos elétricos a metanol por décadas. Eu acredito que a aplicação do desenvolvimento de energia verde eólica, solar, hidrogênio, amônia e metanol no setor de transportes da China é uma abordagem muito prática e com respaldo científico.”

Após a apresentação de Shufu repercutir na mídia chinesa, a Geely emitiu um comunicado esclarecendo que continua desenvolvendo tecnologia de baterias de lítio.

O metanol chinês se parece com o etanol no Brasil?

Ainda que sejam quimicamente próximos (são os dois álcoois de cadeia mais curta), o metanol na China é um produto completamente diferente do etanol do Brasil. Ambos surgiram com a mesma intenção: livrar o país da dependência do petróleo, e as emissões de gases estufa só viraram uma justificativa depois. Mas os processos pelos quais esses álcoois são produzidos e o tamanho do mercado inteiro são incomparáveis.

A Geely começou a investir no metanol em 2005. O governo chinês criou um projeto piloto para carros a metanol em 2012. Hoje a Geely domina 90% do mercado de veículos a metanol, entre leves e pesados.

A primeira diferença com o Brasil é o tamanho desse mercado: no país inteiro, são cerca de 50 mil veículos, 21 mil dos quais são os táxis da Geely cidade de Guiyang. O programa ainda é um piloto e se concentra em 39 cidades em regiões que produzem carvão, o que explica outra enorme diferença para o Brasil: 95% do metanol chinês lá é “sujo”, produzido a partir de processos químicos baseados em carvão ou gás natural.

Em 2015, a Geely passou a investir no metanol “verde”, importando da Islândia um processo que combina gás carbônico capturado de processos industriais com hidrogênio verde, produzido a partir de eletrólise, para gerar o combustível. Outros projetos de metanol verde chinês usam de biomassa, mas não de plantações dedicadas como o etanol brasileiro, que acaba caindo no problema de uso de terras. O metanol verde de biomassa é feito a partir de lixo orgânico, restos de madeira ou serragem.

Nosso take

Dizem que combustíveis químicos têm uma densidade energética muito maior que baterias é afirmar o óbvio. Mesmo as baterias em estado sólido não devem mudar esse fato. Definitivamente densidade energética ou peso não são argumentos em favor da migração para elétricos, mas maior eficiência no uso da energia, simplicidade logística de levar a energia por cabos e não caminhões tanque, e o efeito não só nas emissões de gases estufa, como na poluição local.

Ainda que a Geely tenha feito seu programa piloto em táxis, o presidente deixou claro que sua proposta é para o transporte pesado. Em pesados pode fazer sentido dizer que os veículos a bateria pesam o dobro ou que suas emissões no ciclo de vida podem ser menores. Isso no caso da China, onde a eletricidade vêm ainda de matriz suja, e o impacto da eletrificação é bem menor menor que no Brasil.

Ainda assim, soa como uma solução para um problema de 20 anos atrás. E, depois desse tempo todo, mesmo com o apoio do governo chinês, a Geely parece estar praticamente sozinha. Em 20 anos do Proálcool, o Brasil já tinha implantado o etanol em todos os postos, todos os fabricantes ofereciam opções e o etanol estava numa crise de popularidade, que só seria resolvida com a criação dos veículos flex em 2003.

Via Autohome

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