CEO da Lucid afirma que indústria erra ao tentar vender carros elétricos como apenas solução ambiental

Segundo executivo, o “inverno” dos EVs acontece porque os fabricantes não souberam se comunicar com os consumidores mainstream
Atualizado: 13 de janeiro de 2026 01:01
Marc Winterhoff, CEO interino da Lucid Motors
Marc Winterhoff, CEO interino da Lucid Motors | Lucid Motors / Divulgação

Enquanto a indústria automotiva – ocidental, que fique claro – enfrenta o que alguns analistas estão chamando de “inverno dos elétricos”, com fabricantes dando para trás em seus investimentos em eletrificação e pressionando contra regras ambientais, a americana Lucid Motors considera que os resultados que esses fabricantes consideraram insatisfatórios podem ter a ver com como eles tentam vender seus produtos.

Durante a Consumer Electronics Show (CES) deste ano, o CEO interino da marca, Marc Winterhoff, falou com o InsideEVs e deixou afirmou que as montadoras erraram ao focar o marketing quase exclusivamente na sustentabilidade ambiental, esquecendo-se de dizer ao consumidor que o carro elétrico é, simplesmente, um produto superior.

“Acredito que precisamos explicar melhor a superioridade dessa tecnologia, versus o que infelizmente fizemos”, afirma o executivo. Para citar um exemplo, ele comparou o SUV Lucid Gravity com seus concorrentes: “quando você olha nas especificações, nossos concorrentes são o Mercedes-AMG GLS 63 ou carros como o BMW X7 M60i. Jogue na conta o Lamborghini Urus se qusier, e o Porsche CAyenne GTS e o Range Rover SV. E quando você compara as especificações, aceleração, espaço interior e autonomia – o Gravity tem a maior autonomia.”

“Nós dissemos: ‘EV é sustentável e ICE não é’, mas, se você se foca nas especificações que pode ter, acho que é isso que precisamos fazer como uma indústria de EVs par superar o atual ‘inverno’ que estamos vendo.”, afirma. “De fato eu gosto do termo ‘inverno dos EVs’ porque, depois de cada inverno, vem a primavera”.

Nosso take

Wenterhoff têm razão. Consumidores não fazem suas escolhas tentando salvar o mundo – talvez possam fazer isso para escolher um móvel ou uma refeição, mas não quando essa é uma escolha de dezenas de milhares de dólares (ou reais), que vai afetar suas vidas por vários anos. É pedir demais para quem está contando o dinheiro para comprar um carro.

Isso aparece em pesquisas. A preocupação ambiental como causa para comprar carros elétricos na verdade caiu entre os consumidores brasileiros de 2024 para 2025.

E, se você acha que nós, um site automotivo com foco ambiental, vamos aqui culpar os consumidores “alienados”, achou errado. Existe um maremoto de desinformação paga para manter tudo como está. Os interesses ligados ao petróleo hoje dominam a maior economia do mundo.

A crise climática não é algo para ser combatido via escolhas pessoais. Cabe a governos assumir compromissos sérios, nos quais o fim dos veículos a combustível fóssil é só uma parte da solução. Quando o problema é o ambiente, e a longo prazo, temos que começa a falar de assuntos espinhosos, inclusive sobre como os carros em si afetam o clima nas cidades feitas para eles – e carros elétricos ainda são carros.

As pessoas também tendem a relacionar – de forma errônea – comprar algo em prol do ambiente com fazer um sacrifício, abrir mão de algo. Mas não existe sacrifício em comprar um carro com tecnologia superior, e inclusive mais econômico – o problema não é do carro, é da infraestrutura. Vender carros elétricos como mera solução ambiental é perder de vista as expectativas desses consumidores.

Via: InsideEVs

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