Changan promete iniciar instalação de baterias em estado sólido antes do terceiro trimestre

Marca chinesa que opera no Brasil pode ser a primeira a cruzar a linha de chegada na corrida para o próximo grande avanço tecnológico em EVs
Atualizado: 25 de fevereiro de 2026 02:02
Changan vai trazer Avatr 11 para o Brasil
Changan Avatr 11, vendido no Brasil / Divulgação

A Changan, montadora que retornou recentemente ao Brasil em parceira com a Caoa, revelou oficialmente começará a testar baterias em estado sólido antes do terceiro trimestre de 2026. Além dos carros, ela também testará essas baterias em robôs e o plano é produzi-las industrialmente já no ano que vem.

Sob a marca Golden Bell, subsidiária da Changan, essas baterias devem ter uma densidade energética de 400 Wh/kg, o que é quase o dobro da bateria BYD Blade (210 Wh/kg), uma referência no mercado. O risco de incêndio também é calculado em 70% menor que baterias de íon de lítio convencionais, por meio do sistema de monitoramento por inteligência artificial integrado.

Elas serão feitas em 8 variedades diferentes e as mais capazes devem prover até 1.500 km de autonomia para carros elétricos – o que é bem acima do que veículos a a combustão conseguem, e também mais que os EREVs (elétricos com gerador), atuais campeões em distância. Com baterias assim, grande parte das viagens poderá ser feita com ida e volta, acabando com a ansiedade causada pela falta de infraestrutura.

O ponto fraco, talvez, seja o custo: apesar das promessas ambiciosas, mas ainda não comprovadas, de certo fabricante de motos finlandês, de que suas baterias em estado sólido não só estão prontas, como são mais baratas do que as regulares, a expectativa é que baterias em estado sólido sejam, no começo, de um produto premium.

A Changan não deu mais detalhes (estão prometidos para perto do lançamento), mas afirma que o projeto está todo correndo dentro do prazo.

Por que essa é uma notícia importante?

Baterias em estado sólido são chamadas de Santo Graal da eletrificação porque basicamente são melhores em tudo.

A ideia é simples: no lugar de tanques com um eletrólito (condutor) líquido, como os sais de lítio, ela é feita de material sólido. Parece simples, e elas já existem em laboratório, mas criar um processo industrial viável está sendo um enorme desafio para os fabricantes, mesmo os chineses.

Essas baterias:

  • Têm maior densidade energética, o que significa que um carro com o mesmo peso pode ter uma capacidade de bateria muito maior, permitindo recordes de autonomia (como os 1.500 km citados pela Changan) ou ser bem mais leve – e também ter autonomia maior por isso;
  • Podem operar em temperaturas mais altas, sendo menos afetadas por calor; isso é uma ótima notícia para o Brasil, mas também facilita o carregamento rápido sem danos;
  • Se desgastam mais devagar, durando bem mais que o carro;
  • Como não são tanques com líquidos, podem ser criadas em formatos diferentes do que um grande bloco sobre o chassi do carro; isso permite criar carros em outros formatos, como esportivos baixos – e não os elétricos altos típicos de hoje, com o SUV sendo o formato ideal;
  • Não são inflamáveis, resolvendo um dos grandes temores do público – ainda que as estatísticas digam que o fogo em carros a bateria é bem menos comum que em carros a combustão interna (que carregam coisas inflamáveis de propósito), um fogo de lítio é mesmo feroz e assustador.

Assim, a próxima geração de carros elétricos pode responder a basicamente todas as preocupações dos compradores em potencial.

Menos, talvez, o preço.

Via CarNewsChina

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