Revelado hoje (9), o Citroën ELO Concept é um elétrico a bateira (BEV) que vem com o slogan Small is the new Big (“Pequeno é o novo Grande”). A proposta, da montadora que já havia demonstrado grandes planos para pequenos carros com o Ami, é tentar aproveitar o espaço de forma radical, fazendo caber num veículo do tamanho de um hatch compacto a funcionalidade de uma van para seis passageiros, criando o que pode ser descrito como uma sala de estar ambulante.
Com apenas 4,10 metros de comprimento — praticamente o mesmo tamanho de um C3 ou de um Peugeot 208 — o ELO consegue ainda assim acomodar até seis passageiros, com o motorista seguido por dois bancos individuais, em disposição triangular, e uma fileira com três lugares atrás. A Stellantis desenvolveu uma arquitetura elétrica dedicada que joga as rodas para os extremos absolutos da carroceria, criando um design monovolume que prioriza o espaço interno.
A primeira coisa notável ao se abrir o ELO é a ausência de um posto de condução convencional. O motorista senta-se numa posição central e avançada, sozinho na primeira fileira, desfrutando de uma visibilidade panorâmica através de um para-brisa de 180 graus e com um banco rotatório capaz de girar 180 graus, compartilhando o espaço dos passageiros.
O design emula o visionário Dimaxion Car de 1933, do engenheiro Buckminster Fuller – o criador da cúpula geodésica. Mas não é apenas para ser diferentão. A ideia é liberar as laterais dianteiras, permitindo que os passageiros de trás tenham uma visão desobstruída da estrada. Quando o carro está parado e em modo autônomo ou de descanso, o condutor pode virar-se para trás e interagir cara a cara com os outros ocupantes, transformando a cabine numa sala de reunião ou de jogos.
Refundando até o conceito de sigla
ELO é na verdade uma sigla, derivada de rEst (“descanso”), pLay (“diversão”) e wOrk (“trabalho”).
(Sério, é assim mesmo – até olhamos se não era uma sigla em francês. A Citroën talvez tenha se excedido nessa parte de, ao tentar refundar o conceito de minivan, ter também tentado refundar o conceito de sigla.)
A marca afirma que um carro passa 95% do tempo estacionado. Então ela pretende tornar o ELO útil mesmo quando não está se movendo. Para isso, foi atrás de parceiros. O carro tem três modos, equivalentes às letras da… sigla.
- Descanso: Em colaboração com a gigante esportiva Decathlon, o ELO traz colchões especiais feitos de Dropstitch — o mesmo material ultra-resistente e leve usado em pranchas de stand-up paddle infláveis. Quando não estão em uso, eles dobram-se e somem no porta-malas. À noite, as lanternas traseiras podem ser destacadas e usadas como luzes de leitura ou luminárias de acampamento, enquanto o teto traseiro se abre para permitir dormir sob as estrelas.
- Diversão: O veículo funciona como uma bateria gigante sobre rodas (V2L), capaz de alimentar projetores para uma sessão de cinema ao ar livre, sistemas de som ou churrasqueiras elétricas. Os bancos traseiros são modulares e podem ser removidos para servirem de cadeiras de piquenique.
- Trabalho: Graças ao banco giratório, o ELO vira um escritório móvel. Um sistema de bandejas laterais e um suporte para notebook permitem trabalhar com ergonomia, enquanto o sistema de projeção de realidade aumentada no para-brisa (uma evolução do visto no conceito Peugeot Inception) pode exibir videochamadas em tamanho real.
Sustentabilidade Radical e Inteligente
Os para-choques dianteiro e traseiro são peças idênticas — buscando reduzir custos de produção e de reparo em caso de pequenos acidentes.Eles são feitos de polipropileno expandido texturizado, o mesmo material leve e absorvente de impacto usado em capacetes de ciclismo.
A tecnologia também chega ao solo: os pneus, desenvolvidos exclusivamente pela Goodyear, possuem sensores luminosos integrados nas laterais. Um LED avisa visualmente o condutor antes de entrar no carro: luz verde significa pressão correta; luz vermelha indica pneu murcho, eliminando a necessidade de verificar sensores complexos no painel.
O Citroën ELO fará sua estreia pública no Salão do Automóvel de Bruxelas em janeiro de 2026. Resta ver no que essas ideias radicais podem desembocar no futuro.
Via Stellantis









