A Mercedes-AMG revelou o GT SUV, seu primeiro utilitário esportivo desenvolvido inteiramente pela divisão de alto desempenho. Com até 1.185 cv na versão GT 63, o modelo elétrico chega para disputar espaço com rivais como Lotus Eletre e Porsche Cayenne elétrico, apostando em três principais trunfos: aceleração de supercarro, espaço para cinco ocupantes e capacidade de recarga elevada.

O desenho se afasta dos SUVs convencionais da Mercedes-Benz. A dianteira tem grade fechada com contorno iluminado, enquanto os faróis adotam elementos que remetem à estrela de três pontas da marca. Na traseira, o aerofólio e as seis lanternas redondas reforçam a identidade própria do modelo. Com 5,08 metros de comprimento, o GT SUV é 13 cm mais longo e 12,6 cm mais baixo que o GLE 63 S.

Por dentro, o painel reúne quadro de instrumentos de 10,2 polegadas e tela central de 14 polegadas. Apesar do perfil esportivo, o SUV oferece 607 litros de porta-malas, que aumentam para 1.740 litros com os bancos traseiros rebatidos, além de um compartimento dianteiro de até 111 litros. A AMG também planeja uma variante com carroceria cupê, de teto mais inclinado, para o início de 2027.

Quase o mais potente do mundo

O GT SUV utiliza a plataforma AMG.EA, arquitetura elétrica de 800 volts que também serve de base ao GT 4-Door Coupé. Na configuração GT 63, três motores elétricos de fluxo axial desenvolvidos pela Yasa — dois no eixo traseiro e um dianteiro — entregam até 860 kW, equivalentes a 1.185 cv. O sistema permite distribuir o torque entre as rodas traseiras de forma independente e desconectar o motor dianteiro quando ele não é necessário, reduzindo perdas de energia.

Na versão mais potente, o SUV acelera de zero a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos. A velocidade máxima chega a 270 km/h com o pacote AMG Driver’s Package opcional. A linha também inclui o GT 55, com até 600 kW (816 cv), e o GT 53, com 400 kW (544 cv) e dois motores síncronos de ímãs permanentes.

Esses números fazem do GT 63 o segundo SUV mais potente do mundo, superando os já citados Porsche Cayenne Turbo Electric (1.140 cv) e Lotus Eletre R (906 cv). Em potência pura, ele só perde para híbrido plug-in Zeekr 9X Hyper, que tem absurdos 1.400 cv. Mantém o lugar de SUV elétrico mais potente.

Mas dá para argumentar que é mais potente que o modelo da Zeekr nos resultados práticos. O 9X é menos aerodinâmico e 435 kg mais pesado que os 2.715 kg do GT 63. Com isso, o seu 0 a 100 km/h acaba ficando em 3,1 segundos. Os 2,5 s do modelo da Mercedes-AMG empatam no primeiro lugar com o modelo da Porsche.

A bateria varia conforme a versão. GT 63 e GT 55 usam um conjunto de 128 kWh, com autonomia de até 700 km pelo ciclo WLTP. Já o GT 53 tem bateria de menor capacidade e alcance declarado de até 668 km. Nas versões mais potentes, a recarga em corrente contínua chega a 710 kW: segundo a fabricante, dez minutos conectados a um carregador compatível podem adicionar até 454 km de autonomia, enquanto a recarga de 10% a 80% leva cerca de 12 minutos em condições ideais.

O conjunto foi projetado para manter o desempenho mesmo sob uso intenso. A Mercedes-AMG declara 530 kW, ou 720 cv, de potência contínua para o GT 63 – isto é, que pode ser mantida indefinidamente, diferente da máxima. A proposta é reduzir a queda de rendimento causada pelo aquecimento de motores e bateria durante acelerações repetidas ou períodos prolongados em alta velocidade.

A Mercedes-Benz ainda não confirmou preços nem lançamento do GT SUV no mercado brasileiro. Na Alemanha, o GT 53 parte de € 113.050 (˜R$ 700 mil), sem impostos ou custos de importação. Se chegar ao país, o modelo deverá ocupar uma faixa de preço bastante elevada, considerando seu desempenho e posicionamento. 

Via Mercedes-AMG