Foto de um bico de bomba de combustível
Não recarregue seu EV assim | Engin Akyurt / Pexels

Recentemente, a coalizão de organizações Transport & Environment (T&E) publicou um estudo indicando que híbridos plug-in (PHEVs) têm emissões de gases-estufa muito maiores do que os fabricantes e testes oficiais afirmam. Basicamente porque se movem usando a combustão interna bem mais do que o previsto oficialmente.

Agora a coalizão também propõe mudanças na regulamentação europeia para resolver o problema. Entre as medidas sugeridas estão limitar os tanques de combustível a 15 litros, exigir pelo menos 200 km de autonomia elétrica real e estabelecer que o motor elétrico tenha três vezes a potência do motor a combustão. 

O objetivo das recomendações é claro: fazer com que esses veículos rodem prioritariamente com eletricidade, deixando a gasolina como uma alternativa para viagens mais longas. A proposta responde a uma diferença significativa e bastante preocupante entre os números oficiais e o uso cotidiano desses carros. 

Segundo a T&E, os PHEVs registrados na Europa em 2024 emitiram quase seis vezes mais CO₂ do que indicavam os valores homologados. No mesmo período, apenas 27% da distância percorrida por esses veículos foi realizada em modo totalmente elétrico.

O problema está relacionado, em parte, à forma como os híbridos plug-in são utilizados. Embora tenham baterias recarregáveis, muitos motoristas percorrem longas distâncias com o motor a combustão, seja porque não recarregam o veículo com frequência, seja porque a autonomia elétrica é insuficiente para suas rotinas, seja porque o modo puramente elétrico é fraco demais. Assim, o consumo real de gasolina fica muito acima do previsto nos testes oficiais.

Outras recomendações 

A solução defendida pela entidade não se limita ao tamanho do tanque. A T&E também recomenda recarga rápida em corrente contínua acima de 100 kW e que o veículo priorize automaticamente a propulsão elétrica. A autonomia mínima de 200 km deve ser alcançada em condições reais até 2030. 

Para a organização, um motor elétrico mais potente permite manter a condução elétrica em situações que exigem mais força, como subidas e acelerações, reduzindo a necessidade de ligar o motor a gasolina.

O tanque menor também teria uma função prática: estimular os proprietários a recarregar a bateria. A T&E calcula que 15 litros de gasolina, considerando consumo de 6,7 litros a cada 100 km, seriam suficientes para percorrer cerca de 220 km com o motor a combustão. A entidade também estima que os PHEVs vendidos em 2024 geram um gasto adicional de até € 680 por ano em combustível em relação ao que os números oficiais sugerem, o equivalente a aproximadamente R$ 4.250, em conversão ilustrativa.

Nosso take: para que serve a combustão interna?

Quando se fala na sobrevivência da combustão interna por conta de falta de infraestrutura, poucos se lembram que híbridos fazem melhor o trabalho de serem carros a combustão interna que os carros a combustão interna pura.

Eles são simplesmente mais econômicos e essa é a razão por que já é possível considerar a combustão pura obsoleta. O Jetour S08, por exemplo, faz 30,5 km/l no modo híbrido.

Num contexto de regulamentação para controle de emissões, limitar o tanque faz todo o sentido. A ideia é incentivar as pessoas a usar ao máximo o modo elétrico desses carros. Mas precisa vir com as outras recomendações da T&E, como maior bateria, mais potência elétrica e carregamento rápido.

Caso contrário, isso pode causar um efeito paradoxal de tirar o privilégio dos PHEVs em serem substitutos completos e dar uma razão para a continuidade da combustão pura.

Via Transport & Environment