
Em novembro, as vendas da Tesla nos Estados Unidos caíram para seu pior nível em quase quatro anos, desde janeiro de 2022. A empresa vendeu 39,800 veículos, numa queda de 23% em comparação com novembro do ano passado.
A mudança veio no mesmo período em que a Tesla tentou compensar o fim dos subsídios do governo federal, de US$ 7.500, com versões mais simples, chamadas Standard, de seus Model Y e Model 3, custando US$ 5 mil a menos que as disponíveis anteriormente.
Os dados foram passados à agência Reuters pela consultoria Cox Automotive. “A queda certamente indica que não há demanda suficiente para as versões Standard, que deveriam incrementar as vendas depois do fim dos incentivos fiscais”, afirmou Stephanie Valdez Streaty, diretora de insights da indústria da Cox, à Reuters. “O que está acontecendo é que as vendas dos modelos Standard estão canibalizando as das versões Premium, especialmente do Model 3”.
Mercado em depressão
Mas a má notícia talvez não seja tão ruim assim. Em novembro, as quedas gerais de EVs foram de 41% nos EUA. Nesse período, a tesla aumentou sua participação de mercado par 56,7%, contra 43,1% anteriormente. É um mercado inteiro em depressão, em parte pelo corte do subsídios, mas em outra parte porque houve uma corrida às montadoras antes do fim do subsídio, que beneficiou à própria Tesla – a demanda foi suprida por um tempo considerável.
Mary Barra, a CEO da GM – que é uma das empresas americanas tradicionais que mais demonstram interesse em EVs, inclusive no Brasil – considera que apenas no segundo trimestre de 2026 a situação voltará a se normalizar. Ou, melhor dizendo, o novo normal nos EUA será descoberto.
A Cox porém considera que a Tesla está devendo, por falta de novidades desde o não exatamente estrondoso lançamento do Cybertruck. “A Tesla tem um sério desafio em suas mãos no próximo ano, quando diversos fabricantes planejam lançar veículos mais baratos que também estão cheios de funcionalidades divertidas”, afirmou Streaty. “Então a resposta é que a Tesla precisa de um veículo completamente novo em sua frota. E ponto!”
A Reuters ainda lembra das questões políticas envolvendo Musk. Em termos puramente objetivos, Musk não só apoiou uma figura geralmente vilificada por donos de EV, no que custou à empresa cerca de 1 milhão de veículos a menos vendidos, segundo um estudo da Universidade Yale. Ele apoiou o governo que objetivamente causou a crise dos EVs nos EUA.
Mas as apostas dos acionistas (a notícia mal moveu o ponteiro das ações da Tesla: pelo contrário, elas começaram o dia em alta) não estão nas vendas de carros, estão no robotáxi e robôs domésticos – mesmo com a Tesla estando muito atrás dos concorrentes em ambos os quesitos.
Via Reuters