Carro Renault Koleos Full Hybrid
Koleos Full Hybrid, um candidato à nova tecnologia | Renault / Divulgação

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acaba de aprovar um financiamento de R$ 181,8 milhões para a Renault Geely do Brasil criar uma tecnologia de propulsão híbrida. O projeto será desenvolvido na planta da Renault no Paraná (a mesma que fabrica carros da Geely) e a nova tecnologia deve ser aplicada numa versão eletrificada de um modelo da Renault.

O investimento será feito com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), no Programa BNDES Mais Inovação. “O desenvolvimento de novas tecnologias para veículos híbridos flex contribui para deixar o país bem-posicionado no processo de transição energética pelo qual passa o setor automotivo”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “A descarbonização e a industrialização verde são pilares estratégicos para construir um futuro mais sustentável e garantir qualidade de vida para as próximas gerações”.

Milton Trein, diretor financeiro da Renault Geely do Brasil, afirma: “A operação reforça a atratividade do Brasil para investimentos em inovação, ao viabilizar o desenvolvimento local de tecnologias estratégicas. O financiamento do BNDES contribui para acelerar a mobilização de recursos e competências de engenharia no país”.

Nosso take

O anúncio do BNDES não afirma que tipo de híbrido é – o que é uma falha no comunicado, porque faz toda a diferença do mundo. Um híbrido convencional (HEV) é só um veículo movido por combustíveis do posto mais econômico. Ele não configura transição energética e não tem a possibilidade de economizar usando eletricidade no lugar de combustível. E o dito híbrido leve (MHEV) nem eletrificado é.

A lógica de mercado seria criar um híbrido plug-in flex (PHEV). Os PHEVs flex basicamente exigem fabricação nacional, já que o Brasil é o único país disponibilizando biocombustíveis puros nos postos. Mas soa improvável porque a Renault não tem nenhum deles no mundo inteiro – apenas BEVs, HEVs e MHEVs.

Pode ser que se trate de uma colaboração da Geely para um híbrido plug-in – e daí seria uma tecnologia realmente nova para a marca.

O novo modelo deve ser entregue no ano que vem. A previsão matemática para então é que os híbridos plug-in vendam pouco mais da metade dos elétricos puros e estejam a um ano de atingir o ponto máximo de sua participação de mercado no Brasil. Os híbridos convencionais devem perder ainda mais relevância. Como pode ser visto abaixo:

Gráfico de predição de adoção de EVs no Brasil pelo site BEV Trajectories
Gráfico de predição do Brasil | BEV Trajectories / Reprodução

O financiamento é parte de um prometido investimento de R$ 5,8 bilhões das Renault para a renovação de suas instalações e sua linha. Esperemos que isso signifique trazer veículos elétricos competitivos de sua produção internacional para o Brasil. Já não faz mais sentido tratar o país como um retardatário ou exceção em eletrificação.

A decisão acaba sendo mais uma demonstração do teimoso apego da administração federal atual à combustão interna, sob a justificativa de que o etanol é o “combustível do futuro”, um caminho alternativo à eletrificação. Algo que não é.

Mas talvez seja melhor nossa eletrificação avançar sem qualquer apoio do governo federal, porque incentivos podem ser removidos por outra administração, como aconteceu nos EUA.

Entramos em contato com a Renault Geely perguntando qual exatamente é a tecnologia híbrida. Atualizaremos quando obtivermos a resposta.

Via BNDES