
Seguindo o modelo matemático da distribuição de Weibull, carros elétricos devem ultrapassar modelos de combustão interna nas vendas no Brasil em fevereiro de 2029. E, a partir daí, para atingirem o domínio absoluto serão pouco mais de três anos: em abril de 2032, a previsão é de a fatia de mercado chegar a 99%.
Essa previsão não parte de qualquer figura humana. Trata-se do resultado automático dos dados reais, obtidos da Anfavea, no site BEV Trajectories. Como o nome indica, é um site dedicado a coletar dados sobre as trajetórias de adoção de elétricos puros (BEVs) no mundo todo, e permitir compará-los de forma prática.
A curva esperada para a adoção no Brasil, atualizada em setembro de 2026, é esta:

É possível ver o quão preciso é o modelo adotado ao vermos a curva da Noruega, que ultrapassou os 98% de adoção de BEVs há exatamente um ano. Veja a diferença entre o que foi previsto pelo modelo (as linhas curvas) e o observado na prática (as linhas quebradas).

As curvas de predição são atualizadas sempre que há dados novos. Inclusive a do Brasil piorou um pouco por conta do pequeno crash dos elétricos no mês passado. A previsão era ainda mais radical antes.
Algumas outras coisas interessantes sobre o Brasil podem ser observadas para além da curva. Elas falam da velocidade esperada na transição no país. Ficamos em décimo segundo lugar na lista ordenada por data para atingir 80% de participação. Mas, quando o critério é o tempo entre um país sair de 20% e chegar a 80% de market share de BEVs, somos o segundo mais rápido do mundo (2 anos e 9 meses) após apenas o Equador (2 anos e 3 meses).
O site foi criado por uma figura algo misteriosa, um cidadão alemão que só se identifica profissionalmente como fã da Tesla, atendendo por Raphael ou @LeRaffl.
Ele faz questão de reforçar que o que é retratado não é realmente uma previsão de um especialista, mas o esperado pelo modelo matemático mais aceito se as tendências continuarem. Muita coisa pode dar errado no Brasil, inclusive por conta de decisões políticas. Mas, seguindo o caminho atual, isso é o que podemos esperar.
Entramos em contato com o criador do site para comentar os dados do Brasil, atualizamos esta matéria se obtivermos resposta.
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