Foto do BYD Dolphin Mini na ponte estaiada em São Paulo
O Dolphin Mini | BYD / Divulgação

O maior obstáculo para a expansão da BYD no momento é a geopolítica. Quem diz isso é a vice-presidente executiva da BYD, Stella Li, que admitiu a incerteza sobre os rumos dos mercados por causa dos governantes do Ocidente, sobretudo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A fala foi feita no Milken Institute Asia Summit, em Singapura. “Quando fazemos negócios, queremos fazer algo e ter certeza e visibilidade para então podermos controlar e investir. Mas com a geopolítica, você nunca entende qual é o ângulo e o que eles estão fazendo”, disse ela, segundo a Reuters.

Como consequência direta, a empresa decidiu não vender carros de passeio nos Estados Unidos por ora. A BYD considera que o mercado não oferece estabilidade suficiente para justificar os investimentos necessários. A decisão não significa, porém, uma saída completa do país: a empresa continua presente no segmento de veículos comerciais, enquanto deixa a expansão dos carros de passeio em segundo plano.

A situação também começa a ficar mais complicada na Europa. Depois que a União Europeia aplicou tarifas de até 35% sobre carros elétricos chineses, os híbridos passaram a ganhar espaço nas exportações para o continente por não estarem sujeitos às mesmas medidas. Agora, Bruxelas avalia mecanismos para limitar a entrada de híbridos fabricados na China, justamente em um momento de forte crescimento desses modelos.

Isso cria um problema particularmente relevante para a BYD, que ampliou rapidamente sua linha de híbridos plug-in em mercados estrangeiros. Ou seja, a empresa não enfrenta apenas barreiras aos elétricos: o cerco comercial começa a alcançar justamente uma das alternativas usadas para contornar parte dessas restrições.

Além disso, Li afirmou que a BYD não pretende fazer parcerias com outras empresas chinesas, dado que já lidera diversos segmentos, como armazenamento de energia e painéis solares. Ela também mencionou dificuldades para contratar mão de obra suficiente na China e, por isso, a intenção de ampliar o uso de robôs industriais.

E o Brasil?

Foto: Presidente Lula, prefeito do Rio Eduardo Paes e vice-prefeito Eduardo Cavaliere recebem Stella Li, CEO da BYD nas Américas, Tyler Li, CEO da BYD no Brasil, e Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil para celebrar investimento da marca na cidade. Créditos: Ricardo Stuckert.
Stela Li (em verde) em evento da BYD no Rio de Janeiro com o atual presidente, este ano | BYD / Divulgação

O Brasil aparece em uma posição diferente nesse cenário. A BYD continua ampliando sua operação local e iniciou a produção do Song Plus em Camaçari (BA), enquanto também apresentou o Atto 2 DM-i, primeiro híbrido plug-in flex da marca no mundo

Importações automotivas da China já são altamente taxadas no Brasil (em 35%) e o único benefício que sobrou das políticas extintas no governo Lula, o desconto de impostos de importação sobre os kits CKD usados pela BYD, encerra-se no fim de seu mandato atual, ao fim deste ano.

Assim, mesmo com a possibilidade de um negacionista climático altamente próximo do governo Trump no Planalto, é improvável um total apocalipse no setor. Há muitos interesses comerciais no Brasil ligados à China, inclusive de grupos apoiando o candidato. A eletrificação é quase certamente um gênio que já saiu da lâmpada.

Via Reuters