Protótipo de bateria em estado sólido da Nissan
Protótipo de bateria em estado sólido da Nissan | Nissan / Divulgação

A Nissan firmou parceria com a Gelion, empresa australiana especializada em tecnologias para baterias, para desenvolver uma nova plataforma de material catódico à base de enxofre que promete reduzir os custos de produção e, ao mesmo tempo, oferecer desempenho superior ao das atuais baterias de íons de lítio. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de baterias de estado sólido de lítio-enxofre para veículos elétricos e ampliar a competitividade da Nissan frente à indústria chinesa.

Com investimento total de £ 3,4 milhões (libras, cerca de R$ 23,5 milhões), a iniciativa integra o projeto CoRe-SoLiS (Cathode Research for Solid-State Lithium-Sulfur Batteries), que tem início previsto para este mês. Além da Gelion e da Nissan, a Universidade de Oxford também participa do desenvolvimento.

O projeto está alinhado à estratégia de eletrificação da montadora japonesa e complementa os investimentos do programa EV36Zero, complexo industrial da Nissan em Sunderland voltado à produção de veículos elétricos e baterias. A iniciativa reforça a intenção da empresa de manter o Reino Unido como um dos principais polos de sua operação europeia.

A parceria reúne a tecnologia de material catódico à base de enxofre NES, desenvolvida pela Gelion, com a experiência da Nissan em baterias de estado sólido e o conhecimento científico da Universidade de Oxford. O objetivo é criar baterias de alta densidade energética, capazes de oferecer recargas mais rápidas, maior autonomia e vida útil prolongada.

Alternativa ao níquel e ao cobalto

O principal diferencial da tecnologia está no uso do enxofre, um dos elementos mais abundantes da Terra, em substituição a materiais como níquel, manganês, cobalto e fosfato, amplamente utilizados nas baterias convencionais. A Gelion afirma que seu material catódico encapsulado em nanoescala, denominado NESTM CAM, elimina um dos maiores desafios históricos das baterias de enxofre: a degradação causada pelo chamado efeito polysulfide shuttle, fenômeno que reduz significativamente a vida útil das células.

Consideradas uma das principais apostas da indústria automotiva para a próxima geração de veículos elétricos, as baterias de estado sólido prometem maior segurança por dispensarem eletrólitos líquidos inflamáveis, além de oferecerem maior densidade energética, recargas mais rápidas, maior autonomia e vida útil prolongada.

Mão com luva azul despeja enxofre em pó de cor clara dentro de um béquer de vidro em um laboratório. Ao fundo, equipamentos e frascos desfocados compõem o ambiente de pesquisa científica
A Gelion busca substituir os minerais estratégicos presentes nos cátodos das baterias de íon-lítio atuais pelo Enxofre Nanoencapsulado | Foto: Gelion/Divulgação

Desempenho superior e menor custo

De acordo com a Gelion, a nova química oferece densidade energética comparável às baterias NMC (níquel, manganês e cobalto), além de apresentar vantagens em velocidade de carregamento, potência, durabilidade e desempenho em baixas temperaturas.

A tecnologia já foi validada em células protótipo utilizando sistemas de íons de lítio e de íons de sódio. Outro atrativo é a compatibilidade com as linhas de produção atuais, permitindo sua adoção sem grandes modificações nos processos industriais.

A empresa estima que as baterias produzidas com seu material catódico possam custar cerca de 13% menos na China e até 37% menos nos Estados Unidos em comparação com as tecnologias atuais. Em larga escala, uma célula produzida nos EUA poderia atingir um custo de US$ 52,60 por kWh, abaixo dos US$ 58,60 por kWh de uma bateria NMC fabricada na China.

A montadora japonesa pretende lançar seu primeiro veículo elétrico equipado com baterias de estado sólido em 2028, com produção prevista para a fábrica de Sunderland, no Reino Unido. Inicialmente, as células utilizarão cátodos do tipo NMC, mas a Nissan avalia a incorporação da tecnologia da Gelion para aumentar a autonomia, acelerar o carregamento e reduzir custos.

Próximos passos

A estratégia da Gelion é fornecer seu material catódico para fabricantes de baterias já estabelecidos e licenciar a tecnologia para uso em linhas de produção existentes.

Analistas da consultoria Longspur avaliam que, caso a tecnologia alcance a comercialização em larga escala, ela poderá alterar significativamente o equilíbrio global da indústria de baterias, oferecendo uma alternativa competitiva à cadeia de suprimentos atualmente dominada pela China.

O projeto terá duração de três anos e integra a estratégia da Nissan para introduzir no mercado seu primeiro veículo elétrico equipado com baterias de estado sólido até 2028. Como parte desse plano, a montadora inaugurou, em janeiro de 2025, sua primeira linha-piloto de produção dessas baterias na fábrica de Yokohama, no Japão. A empresa também mantém uma parceria com a norte-americana LiCAP Technologies para viabilizar a produção em larga escala da nova tecnologia.

Via: Gelion