“O tempo de um cafezinho”: essa é a frase que algumas montadoras e entusiastas têm usado para explicar a experiência de carregar um carro elétrico com sistemas de carregamento ultrarrápido como o BYD Flash. Ainda que não seja exatamente igual a encher um tanque, carregar um carro em menos de dez minutos é bem próximo. Mas será mesmo mais rápido que um cafezinho?
A BYD demonstrou ontem seu carregador Flash no Festival Interlagos, carregando um Denza Z9 GT de 10% a 97%. O sistema é formado por uma torre em T, que permite esticar os cabos por meio de roldanas, de forma a aceitar qualquer veículo. Tem capacidade para dois veículos por vez.
No mesmo dia do teste, a BYD celebrou 10 mil unidades de carregadores Flash instaladas na China. Aqui no Brasil, ele deve estrear na concessionária da Denza em Brasília – o que faz sentido porque a marca de luxo da BYD oferece os únicos modelos que podem aproveitar completamente a absurda velocidade de carregamento de 1,5 MW. Após a inauguração do primeiro, a montadora afirmou que pretende chegar a um total de mil deles no país.
O teste do café
O teste começou com a gravação uma chamada, que é pode ser vista no vídeo acima. Isso já foi o suficiente para o carro ir de 10% a 20% de carga antes mesmo de eu começar a me mover para pegar o café. E isso levou mais um tempinho porque eram poucos metros, mas a multidão era densa. Finalmente diante do balcão, pedi ao atendente o café, que ele imediatamente preparou, já que apenas eu pensaria então em dar às costas ao teste e pedir um café.
Dá para considerar esse tempo inicial como o equivalente a andar até a loja do posto, pegar a ficha para entrar, chegar ao balcão e ter o seu café preparado.

Noves fora, quando finalmente tive o café em mãos e comecei a beber, em cerca de quatro minutos e meio, o Z9 GT já tinha carregado 45%. Mais um tempinho (eu sou bebedor rápido) e aos 6m54s eu havia terminado o café. A carga estava em 81%.
Fracasso? Bom, minha simulação é completa, então restam algumas tarefas: jogar fora o copo, pagar pelo café no caixa e andar até o carro.
No teste, eu simulei esse tempo de fato jogando fora o copo, mas também gravando mais vídeos atrás das duas baterias e da central de controle do carregador. Baterias são necessárias num carregador assim porque não é geralmente viável puxar tanta energia de uma vez da rede.
O carro completou sua carga em 9m31s. Entre eu terminar o café e o término da carga foram, assim, mais 2m35s. Provavelmente só seria possível pagar e retornar ao carro se não houvesse fila nenhuma.
Considerando que geralmente uma parada assim começaria por tirar aquela aguinha do joelho, o que não entrou na nossa simulação, acho que é seguro dizer que sim: já é possível carregar um carro elétrico no tempo de um cafezinho numa parada no posto.
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