
A Bright Consulting acaba de revelar seu relatório parcial de emplacamentos em maio, da primeira quinzena.
O mês abriu aquecido, registrando um aumento de 3,5% sobre o mesmo período de abril e 15% comparado ao ano passado. Mas a maioria das grandes montadoras registrou ligeira queda mensal. Quem segurou o índice no azul, entre as dez mais, foi a BYD, que cresceu 1%, seguida pela GM, Hyundai e Jeep.
Cenário de eletrificados mostra consolidação
Na área de eletrificados, não muitas mudanças, mas sim a consolidação de tendências.
O Dolphin Mini segue o mais vendido entre os carros no varejo e entre os elétricos, diminuindo ligeiramente seu domínio entre todos os elétricos puros (BEVs) de 40% para 39,3%. Até ontem, ele havia vendido 3.455 unidades. Como maio tem 31 dias, o modelo está a caminho de superar as 6.873 unidades vendidas em abril e também o recorde histórico em março, de 7.054 unidades.
Elétricos puros seguem dominando entre os eletrificados, se aproximando de 50% do total. EREVs (elétricos com gerador) marcaram apenas 1%, já que só possuem um único modelo à venda, o Leapmotor C10.
BYD: a rainha do varejo
Além da confirmação da tendência de domínio de elétricos sobre outros eletrificados, a quinzena também solidifica o favoritismo da BYD no varejo, após ter atingido, em abril, o primeiro lugar entre todas a montadoras do país nesse tipo de venda.
O Dolphin Mini segue o campeão do varejo, com 2.952 unidades, versus 2.230 do segundo lugar, o Hyundai Creta, e quase o dobro do terceiro lugar, o Fiat Strada (1.692).
E a BYD, ainda que siga em quinto lugar na ranking geral, aumenta ainda mais sua dianteira sobre o segundo lugar no varejo. Que, no mês passado, foi Volkswagen, quase empatando com a BYD, mas agora é a Fiat, que a BYD venceu por mais de 1.300 unidades de vantagem.
Por que a BYD e elétricos não vencem também na venda direta?
Com exceção da Toyota e da Honda, as montadoras tradicionais realizam a maior parte de suas vendas no modo venda direta. Essas vendas correspondem, segundo a Bright, a 48,5% dos emplacamentos nesta quinzena.
E, em vendas diretas, eletrificados (e a BYD) costumam aparecer no fim da lista dos mais vendidos (acima, ela só bateu a Chery e a Honda). O que explica essa discrepância?
Vamos primeiro explicar a diferença entre varejo e vendas diretas. Varejo são as vendas em concessionárias, para consumidores pessoa física comuns. Vendas diretas acontecem, como o nome indica, da montadora para o cliente, e são geralmente entre empresas, com algumas exceções como pessoas com deficiência, produtores rurais e taxistas.
Assim, o sucesso no varejo significa a preferência entre pessoas físicas – que compram carro zero. Mas outra porta de entrada para os carros são os seminovos vendidos por locadoras.
E locadoras são o maior cliente das vendas diretas, com cerca de metade das operações. Elas têm prioridades muito diferentes de consumidores comuns – o combustível é por conta do cliente, e esse cliente muitas vezes aluga para viagens, tendo poucos motivos para querer enfrentar a chateação da falta de infraestrutura.
E, ainda que os veículos exijam manutenção, eles não ficam muito tempo nas mãos das locadoras, indo alimentar o mercado de seminovos após um ou dois anos. Elétricos desvalorizam mais na média, tornando eles menos atraentes pra locadoras também nesse quesito.
Tivemos a chance de falar com Luciano Cheng, Gerente de Vendas da BYD, e perguntamos por que as vendas diretas não são tão fortes. “O alvo inicial são as pessoas físicas, para isso gerar um efeito manada. Então eu acredito que é só uma questão de tempo”, afirmou o executivo. “Cada locadora vai ter sua estratégia, pensando também no seu residual [o valor de revenda]. A BYD já começou, com um acordo com a Localiza para vender 10 mil unidades em 2 anos, mas ainda é um número pequeno em relação às 250 mil unidades vendidas por ela.”





