Um Xioami SU7 com notas de yuan ao fundo
O SU7 foi umas das vítimas do aumento | Montagem evdrops sobre Getty Images e Xiaomi

Os carros elétricos estão sofrendo reajustes de preços no mercado interno chinês e as fabricantes se encontram sob grande pressão pelos custos e queda na margem de lucro. A notícia vem da agência Jiemian News.

Se veículos de novas energias são considerados uma vacina para a dependência de combustíveis fósseis, sua produção não está livre do cenário macroeconômico atual. Por conta de uma recente alta de preços de materiais como chips, lítio, alumínio e borracha, fabricantes chinesas recentemente anunciaram reajustes de preços, que muito possivelmente chegarão ao Brasil em algum momento.

Preços: quem não aumentou, deve aumentar

De acordo com a agência de notícias chinesa, os aumentos afetaram mais de 15 fabricantes. No final de abril, a BYD reajustou o preço da tecnologia God’s Eye B, que faz uso de sistemas de LiDAR para recursos de assistência de condução avançados e é oferecida como opcional, em CN¥ 2.100 (2.100 yuans, cerca de R$ 1.580). Quase ao mesmo tempo, a Changan reajustou seu modelo Qiyuan Q07 Intelligent Laser Edition (como o nome indica, também usando LiDAR) em CN¥ 3.000 (~R$ 2.250) e a GAC aumentou seus modelos Aion Y Younger e Aion S Plus em até CN¥ 6.000 (~R$ 4.500).

A Xiaomi também subiu os valores de seu SU7 em CN¥ 4.000 (~R$ 3 mil) em todas as versões, ficando entre CN¥ 219.900 e CN¥ 309.900 (~R$ 165 mil a R$ 233 mil).

A concorrente Tesla, que fabrica localmente a custos maiores que os das fabricantes locais, também reajustou o preço chinês de seu Model Y, com a versão de longa distância aumentando em CN¥ 18.000 (~R$ 13.500) a versão de performance em CN¥ 20.000 (~R$ 15 mil), chegando num preço total de CN¥ 313,500 (~R$ 235 mil) para o último modelo. A marca também endureceu as condições de seu financiamento sem juros, aumentando o custo oculto para seus clientes.

Alguns outros fabricantes como a Nio e a XPeng, anunciaram que farão seus reajustes neste trimestre. Outros, seguindo o exemplo da Tesla, deixaram seus financiamentos mais difíceis.

Pressão contra os pequenos fabricantes

Os dados citados pela JN indicam que, entre janeiro e março deste ano, o valor médio de veículos de passageiros na China teve uma inflação de CN¥ 15.000 (~R$ 11 mil) em comparação ao mesmo período no ano anterior.

A razão para esses aumentos todos são os aumentos de custos em toda a cadeia de suprimentos. O custo de carbonato de lítio na China mais que dobrou em menos de um ano, indo de CN¥ 75.000 (~R$ 56 mil) por tonelada em julho de 2025 para CN¥ 200.000 (~R$ 150 mil) atualmente.

A outra causa é a explosão da IA generativa colocando pressão nos preços dos chips. Fabricantes de microprocessadores, inclusive as chinesas, estão transferindo sua capacidade para o suprimento para data centers. Assim, os chips automotivos subiram 180% na China nos últimos três meses, e a memória DDR5 (a usada em carros avançados), 300%. Isso sozinho representa um aumento de até CN¥ 7.000 (~R$ 5.200) no custo de cada veículo.

E por fim há a crise no Oriente Médio, que é uma fonte não apenas de petróleo, usado para criar plástico e borracha sintética, como alumínio. Esses materiais significam um aumento de mais CN¥ 1.800 (R$ 1.350) nos custos para produzir um carro na China.

Dados da Associação Chinesa de Carros de Passageiros mostram que a margem de lucro da indústria doméstica caiu para 2,9% nos dois primeiros dois meses do ano, a menor em quase dez anos. O lucro total doméstico da indústria automotiva chinesa no primeiro trimestre caiu 18% em comparação ao ano anterior.

O fim dos pequenos?

O aperto pode indicar o começo do previsto reajuste do cenário da produção automotiva chinesa. Há uma percebida bolha de fabricantes no país, com mais de 150 marcas ativas. Os maiores conseguirão segurar o lucro menor e o aperto, mas dificilmente os pequenos terão a mesma resiliência.

Por enquanto, não houve aumentos anunciados por aqui, mas é de se esperar que esses reajustes venham a atingir o mercado brasileiro. Inclusive também o mercado de veículos a combustão interna, já que diversos aumentos de custos são universais.

Via Jiemian News