
Uma reestruturação na Honda irá acontecer em grande escala. Em declaração formal do CEO global Toshihiro Mibe, a montadora japonesa revelou que os próximos três anos serão dedicados a reconstruir sua estrutura de negócios automotivos, com foco na rentabilidade, na aceleração dos híbridos e na contenção dos investimentos em veículos totalmente elétricos. A medida mais simbólica do anúncio é a suspensão indefinida do projeto de construir uma cadeia de valor abrangente de veículos elétricos no Canadá.
O pano de fundo da reestruturação na Honda é a combinação de dois fatores: as perdas acumuladas com veículos elétricos e a forte demanda pelos modelos híbridos, especialmente na América do Norte. Diante desse cenário, a montadora decidiu redirecionar recursos que estavam planejados para o segmento elétrico para a produção e o desenvolvimento de híbridos – tecnologia na qual a Honda já possui base consolidada e que, segundo a empresa, apresenta demanda crescente e margens melhores no curto prazo.
A meta financeira é clara: lucro operacional consolidado – incluindo motocicletas e serviços financeiros – superior a 1,4 trilhão de ienes até o ano fiscal encerrado em 31 de março de 2029, o que representaria um recorde histórico para a companhia. As perdas relacionadas a veículos elétricos, segundo o CEO, deverão ser zeradas até essa mesma data.
Foco em híbridos e suspensão de projetos de elétricos
A decisão mais impactante da nova diretriz é a suspensão por tempo indeterminado do projeto de construção de uma cadeia de valor abrangente para veículos elétricos (EVs) no Canadá. A Honda optou por redirecionar os recursos anteriormente previstos para EVs em favor do desenvolvimento de modelos híbridos.
A meta é lançar 15 novos modelos híbridos globalmente até o final do ano fiscal de 2030, utilizando uma plataforma e um sistema de motorização totalmente novos a partir de 2027. Com essa tecnologia de próxima geração, a montadora projeta uma redução de custos superior a 30% e uma melhoria na economia de combustível de pelo menos 10% em comparação aos sistemas atuais.
A Honda deixou claro que não pretende, neste momento, internalizar completamente o fornecimento de baterias. A estratégia passa por aproveitar as instalações já existentes da L-H Battery – priorizando baterias híbridas no curto prazo – e manter o foco em competitividade de custo na América do Norte.
No mercado chinês, a Honda pretende incorporar a agilidade dos negócios locais para fortalecer sua competitividade em custos e produtos. A estratégia envolve a utilização de componentes padronizados de origem regional e tecnologias de próxima geração, além da introdução de veículos de nova energia (NEVs) construídos sobre plataformas fornecidas por parceiros locais.
O que acontece com os elétricos a longo prazo
A reestruturação na Honda não abandonou o segmento de EVs – apenas redimensionou o ritmo. A montadora afirma que continuará desenvolvendo as bases para uma plataforma de hardware de EV altamente competitiva para quando a demanda crescer, e também segue com a pesquisa em baterias de estado sólido. O sistema operacional ASIMO OS, desenvolvido para os elétricos, será aplicado também aos híbridos.
O papel das motocicletas e investimentos totais
O braço de motocicletas da Honda continua sendo um pilar de lucratividade essencial. Na Índia, o maior mercado da empresa neste segmento, a capacidade de produção saltará de 6,25 milhões para 8 milhões de unidades anuais até 2028.
Financeiramente, a restruturação na Honda prevê um investimento total de 6,2 trilhões de ienes nos próximos três anos. Desse montante, 4,4 trilhões de ienes serão destinados a veículos a gasolina e híbridos; 1,0 trilhão de ienes serão investidos em tecnologias de software e 0,8 trilhão de ienes serão alocados para iniciativas remanescentes de veículos elétricos.
Com essas medidas, a reestruturação na Honda busca atingir um lucro operacional recorde de 1,4 trilhão de ienes até o encerramento do ano fiscal em março de 2029. Embora mantenha o compromisso de neutralidade de carbono até 2050, a empresa deixa claro que o caminho atual será pavimentado por uma transição híbrida robusta e financeiramente sustentável.