
A austríaca Obrist, empresa de engenharia conhecida por substituir parte da bateria de um Tesla Model 3 por um motor a gasolina, entrou em processo de falência junto com outras duas companhias do grupo. Ao todo, as dívidas somam aproximadamente € 31,8 milhões (˜R$ 174 milhões).
Nos últimos anos, a fundadora da iniciativa enfrentou custos elevados de desenvolvimento, negociações frustradas com investidores e dificuldades relacionadas à crise da indústria automotiva europeia. A associação austríaca de proteção aos credores AKV também apontou a migração das montadoras para veículos totalmente elétricos como um dos fatores do fracasso.
A empresa passou mais de uma década promovendo o sistema HyperHybrid como alternativa aos carros elétricos a bateria (BEVs), mas nunca conseguiu colocar um veículo de série no mercado. No conceito dos austríacos, o sistema híbrido utilizava um pequeno motor a combustão para gerar eletricidade, enquanto um motor elétrico era responsável por movimentar as rodas. Na prática, transformando os BEVs da Tesla em EREVs (isto é, elétricos com gerador, que são bem diferentes dos híbridos plug-in, ou PHEVs).
Os processos de insolvência envolvem a Obrist Powertrain e a Obrist Technologies, na Áustria, além da Obrist DE, divisão alemã do grupo.
Fama com o Tesla Model 3
O projeto mais conhecido da Obrist foi apresentado em 2020, com base no Tesla Model 3. A empresa reduziu a bateria para 17,3 kWh e instalou um gerador a gasolina de dois cilindros e 40 kW, equivalente a cerca de 54 cv, no compartimento dianteiro. A promessa era alcançar 1.000 km de autonomia combinada (que é uma medida de valor duvidoso, porque indica a distância que você pode percorrer sem um posto de gasolina). .
Na época, a fabricante afirmava ter licenciado o sistema a um parceiro internacional não identificado e previa iniciar a produção em 2023. Nenhuma dessas promessas se concretizou.
A proposta mudou ao longo dos anos. Em 2022, a Obrist apresentou um protótipo baseado no Tesla Model Y que utilizava metanol sintético, chamado aFuel. A empresa alegava que o combustível permitiria uma condução com saldo climático positivo, mas essa afirmação não se traduziu em produção comercial. Em 2024, a companhia também anunciou planos ambiciosos para construir grandes usinas de metanol, com investimentos estimados em dezenas de bilhões de euros.
A Obrist também fez lobby junto à União Europeia contra o fim da venda de carros novos com motores a combustão previsto para 2035. Em 2024, chegou a afirmar que o HyperHybrid emitiria 85% menos CO₂ do que um elétrico comparável. Apesar das tentativas de influenciar as regras europeias, a empresa não conseguiu transformar suas propostas em um negócio viável.
Via Electrek
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