Um trabalhador uniformizado carrega uma escada de alumínio na caçamba de uma picape compacta branca (Olinia Carga) estacionada em frente a um galpão industrial de portas de metal e paredes de pedra
Olinia Carga | Divulgação

O México apresentou o protótipo da Olinia Carga, uma caminhonete elétrica leve e compacta desenvolvida para pequenos comerciantes, entregadores e serviços urbanos. Também chamada de Olinia 2, referência ao primeiro veículo elétrico produzido pelo país, a novidade tem lançamento previsto para o fim de 2027, com capacidade de carga de até 650 kg e autonomia superior a 120 km. O preço estimado é de 150 mil pesos mexicanos (~R$ 44 mil).

A proposta é ocupar um espaço entre os tuk-tuks de três rodas e os veículos comerciais leves convencionais. A cabine acomoda duas pessoas, enquanto a bateria poderá ser recarregada em uma tomada doméstica. O governo, porém, ainda não divulgou a capacidade da bateria nem a potência máxima de recarga.

Os custos operacionais devem ser um dos principais argumentos do projeto. Segundo Roberto Capuano Tripp, responsável pelo desenvolvimento da Olinia, a caminhonete deverá custar cerca de um quarto do valor necessário para operar um veículo comercial leve convencional e aproximadamente um terço do custo de um motocarro. A ideia é atacar justamente um segmento no qual o preço de aquisição e o gasto diário têm peso importante.

O desafio da produção

Além da apresentação do protótipo, o projeto agora entra em uma etapa mais concreta de industrialização. O governo mexicano abrirá uma licitação no fim de setembro, com processo previsto para terminar em dezembro, para selecionar uma empresa com capital majoritariamente mexicano. A meta inicial é produzir 10 mil unidades no primeiro ano, sendo que 8 mil já teriam compradores ou compromissos de aquisição. Posteriormente, a capacidade poderá chegar a 50 mil veículos por ano.

Um dos principais desafios continua sendo a bateria. O México, que tentou barrar o avanço dos elétricos chineses em seu território, ainda não possui capacidade suficiente para produzir localmente esse componente, que representa aproximadamente 40% do valor da Olinia Carga. Por isso, o governo pretende desenvolver gradualmente uma cadeia nacional de baterias e aumentar o conteúdo local dos veículos. No caso da família Olinia, a meta é chegar a 75% de componentes e valor produzido no México até 2030.

A Olinia Carga faz parte de uma estratégia maior. Com um projeto de soberania tecnológica, o governo também prepara o Olinia Uno, um pequeno elétrico urbano com cerca de 125 km de autonomia, e uma futura van elétrica.

Via Electrive