Foto de um homem com boné usando um volante de videogame
Não destrua seu brinquedo | Sander Sammy / Unsplash+

Um estudo da Shangai DianJi University (em inglês mesmo) mediu como o comportamento dos motoristas influencia a degradação da bateria de um carro elétrico. Por um ano, 15 veículos foram monitorados circulando pela cidade de Guangzhou, coletando mais de 55 mil amostras de como estavam sendo conduzidos. Ao aferir o estresse causado pelo uso, os pesquisadores chegaram a conclusões interessantes sobre como a forma com que o motorista conduz afeta o desgaste da bateria de seu carro.

As amostras foram divididas em cinco estilos de condução, variando entre a direção cautelosa usando o modo Eco (1) e a direção agressiva (5). Essa última é caracterizada não só por usar o modo mais esportivo, como pisar no acelerador e freio de forma intensa e frequente.

Ela não é o modo mais rápido: na verdade, na amostragem, ela tinha a menor velocidade média, com 15,41 km/h, versus 15,58 km/h no modo Eco. Isso porque a agressividade estava na partida, não no movimento constante. A corrente eficaz (basicamente uma medida de quanto o motor estava “puxando” da bateria) medida foi de 20,56 A no modo Eco e 66,02 A no modo agressivo.

O resultado do teste foi um desgaste que equivaleria a 21,15% de bateria no modo Eco e 53,22% com direção agressiva, esperado após 1.000 ciclos de carga e descarga – Se os carros tivessem 300 km de autonomia, isso seria equivalente a 300.000 km no hodômetro.

Portanto, dirigir agressivamente aumentou em 2,51 vezes a degradação da bateria. Considerando a degradação natural, o estudo também concluiu que dirigir na forma econômica conseguiria reduzir a taxa de desgaste (o dano que vem do uso, e não idade e carregamento) em 91,3% comparado à direção agressiva.

A tecnologia avança

É importante notar uma coisa: os testes foram realizados em 2022, e publicados apenas agora. Com a tecnologia de hoje, não seria considerado típico uma perda de 21,15% de bateria ou menos ainda 53,22% com mil ciclos de uso. A expectativa hoje é perder cerca de 1% da capacidade de bateria por ano. Não dá para saber se as baterias atuais, que são mais resistentes, também sofrem exatamente na mesma medida por direção agressiva que as testadas no estudo.

De qualquer forma, é interessante comparar esses dados com outro estudo sobre desgaste, que mostrou que o maior fator era o uso de carregamento rápido. Esse fator, porém, era menor que o medido no estudo de Xangai: apenas 100% a mais de dano era causado por carregamento rápido, versus 151% medidos agora com o comportamento do motorista.

Os cientistas admitem que é improvável que uma pessoa dirija de forma agressiva o tempo inteiro, ou de forma econômica o tempo inteiro, com períodos de comportamentos diferentes de cada motorista tornando-os mais parecidos na média. Assim, na vida real, a diferença entre motoristas não acaba chegando a 150% mais desgaste.

Ainda assim, é um indicador que o motorista é, potencialmente, o maior vilão no desgaste da bateria de seu carro – e maior aliado contra.

Via Scientific Reports – Nature