
Em dezembro do ano passado, o Senado do México aprovou uma medida aumentando as tarifas de importação de produtos de países sem acordo de livre comércio para 50% – o que inclui produtos chineses.
Na época, a presidente Claudia Sheinbaum defendeu a medida como uma forma de preservar a indústria nacional (mesmo argumento usado para os 35% cobrados pelo Brasil, aliás). Mas analistas enxergaram o movimento como uma capitulação à pressão do governo Trump, que estava acusando o México de se tornar uma ponte para os chineses burlarem as tarifas e entrarem no mercado dos EUA.
Crescimento quase brasileiro
Seja lá qual for a justificativa, não parece ter funcionado. O México fechou o primeiro semestre com um aumento de 30% nas vendas de carros chineses, que chegaram a 17% de participação em seu mercado, segundo dados da AMDA (Asociación Mexicana de Distribuidores de Automotores).
Para comparação, aqui no Brasil, as chinesas fecharam julho em 23%, mas estavam em 17% em abril. A AMDA não publicou os números apenas para junho e, ainda que a curva deva ser menos acentuada do que no Brasil, provavelmente o percentual está acima de 17% agora.
O México tem uma situação bem diferente do Brasil em seu mercado automotivo. Por lá, apenas 30,3% dos veículos leves vendidos são de produção nacional. E uma curiosidade: a General Motors, que é a maior marca no México, importa 79% de seus veículos da China – e mais 14% do Brasil. Assim, os 17% – que medem apenas marcas de origem chinesa, excluindo a americans GM – têm alguma distorção para baixo. Contando carros fabricados na China, o total é 28% – bem acima do Brasil.
O que o Brasil pode fazer pelo México
Boa parte dessa produção chinesa, diferente também do que acontece no Brasil, onde 87% das importações da China são de eletrificados, é de veículos a combustão puros. No primeiro quadrimestre, 12% dos veículos leves registrados no México eram eletrificados – no Brasil, o número foi quase o dobro: 21%.
Mas o próprio Brasil, com múltiplas montadoras chinesas se instalando por aqui (e até a GM também produzindo de suas parcerias chinesas) pode estar a caminho de mudar jogo por lá, e a BYD já fechou um acordo para exportar sua produção de eletrificados brasileira para o país.
O Brasil não está sujeito às mesmas taxas que a China. Na verdade, a tarifa para carros produzidos por aqui é zero, por conta de um acordo bilateral – mas a tarifa considera que as peças sejam fabricadas no Brasil, então pode ser que os mesmos 50% se apliquem aos elétricos chineses montados com kits por aqui. Ao menos até eles cumprirem suas promessas de nacionalização.
Via AMDA / Mexico Business
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