
A BYD anunciou ontem que seu complexo industrial em Camaçari, região metropolitana de Salvador (BA), atingiu a marca de 8 mil funcionários diretos. Segundo a montadora, ela agora é o segundo maior empregador industrial da Bahia (o primeiro lugar é provavelmente a petroquímica Braskem).
8 mil empregados é um número maior que a força de trabalho atuando naquela que, podemos dizer, é a planta automotiva mais tradicional e famosa do Brasil, inaugurada em 1959 – a sede nacional da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP). De acordo com números levantados pelo Diário do Grande ABC, essa fábrica atualmente emprega 7.600 trabalhadores.
Novas contratações
Segundo a BYD, dado seu aumento nas vendas, também foi decidido adiantar 1.500 contratações para iniciar o terceiro turno de produção. Outro anúncio importante são outras 500 vagas anunciadas, que serão dedicadas às fábricas de soldagem, pintura e estamparia, atualmente com 589 trabalhadores.
Essas são partes cruciais para o processo de nacionalização da produção, que deve substituir os atuais kits desmontados (CKD) vindos da China.
No total, a BYD deve fechar 2026 com 10 mil trabalhadores em sua linha principal. O plano, porém, é chegar a 20 mil e produzir 600 mil carros por ano, tornando-se a maior planta automotiva do Brasil.
Disputa com a indústria tradicional
A fábrica da BYD foi criada originalmente pela Ford do Brasil em 2001, e fechada com o anúncio do fim da fabricação nacional da montadora americana, em janeiro de 2021. Em 2023, a planta fechada foi adquirida pela BYD. Foi nela que, em outubro de 2025, pela primeira vez em 50 anos, desde os tempos de Amaral Gurgel, um carro elétrico deixou uma linha de produção no Brasil. (A GWM abriu sua fábrica antes, mas só faz híbridos.)
A fábrica de Camaçari acabou no centro de uma séria disputa: a Anfavea, associação formada principalmente pelos fabricantes tradicionais, pressionou o governo para não conceder benefícios fiscais para os kits de montagem usados pela BYD. Acabou perdendo essa batalha, com a BYD recebendo do governo federal a extensão do benefício fiscal para seus kits.
Mas a Anfavea já havia ganhado todas suas outras batalhas, inclusive aquela que levou ao fim desse benefício: o incentivo a carros elétricos, criado em 2016, foi extinto em 2023, quando a fatia de eletrificados era de 1,76% dos veículos leves, sob o argumento de que o mercado estava maduro e eles não precisavam de qualquer incentivo.
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