Coleta de lixo com triciclo elétrico em Havana
Triciclo elétrico fazendo seu trabalho em Havana | Agencia Cubana de Noticias / Reprodução

Em janeiro deste ano, o presidente dos EUA, Donald Trump, acirrou o bloqueio a Cuba que já existe desde os anos 1960. Todos os países que suprirem Cuba com combustíveis ou petróleo passaram a estar sujeitos a sanções. A medida veio no mesmo dia em que forças dos EUA entraram na Venezuela e abduziram o então presidente Nicolás Maduro, levando a uma troca de governo no país, que era o maior fornecedor de combustíveis para Cuba. E foi tornada mais severa duas vezes: uma em maio, e outra ontem.

Cuba está basicamente sem combustíveis e, com isso, acabou se tornando um laboratório involuntário para a transição energética. Os cubanos estão rapidamente deixando para trás seus modelos ancestrais e adotando EVs, ainda que geralmente sejam mais veículos como motos e triciclos do que carros – que também chegam e são (não deve ser surpresa para ninguém…) chineses.

Tuk-tuks contra o lixo

Um dos problemas da crise energética causada pelo bloqueio é a limpeza urbana: mais da metade da frota de caminhões de lixo de Havana acabou parada sem combustível, levando a um acúmulo enorme pelas ruas, que é reconhecido mesmo por órgãos oficiais do governo cubano.

Diante da emergência, os cidadãos decidiram por se mobilizar e buscar uma saída (como apoio do governo). No bairro de Vedado, uma vizinhança considerada afluente no centro histórico de Havana, o Conselho Popular Rampa criou a inciativa El Rampeño: um programa local para coleta de lixo, considerada um Projeto de Desenvolvimento Local pela lei cubana. O nome vem de a Calle 23, uma das avenidas principais da região, ter um trecho conhecido por La Rampa.

La Solinera, estação de recarga solar em Havana, em fase de construção
A Solinera em construção | Cubadebate / Reprodução

A iniciativa consiste em triciclos elétricos coletando o lixo e recarregando numa estação solar. Começou no começo de julho com cinco veículos elétricos doados pelo governo. Para a coleta, é cobrada uma taxa de $MN 100 (pesos cubanos, por volta de R$ 21) para residências e até $MN 15 mil para empresas públicas ou privadas (~R$ 3.200). O atendimento é gratuito para pessoas consideradas vulneráveis pelo conselho.

Em Cuba, o salário médio é de $MN 6,9 mil mensais (~R$ 1.470) e os operadores dos triciclos ganham $MN 15 mil (~R$ 3.200).

Parceria chinesa

Os veículos são fabricados em Havana, pelo Vehiculos Electricos del Caribe (VEDCA, mas que usa a sigla VGDCA nos veículos por questões burocráticas). É uma joint-venture entre o Tianjin Dongxing Industrial & Commercial Group e a Minerva, uma empresa de micromobilidade criada pelo governo cubano. Eles contam com pequenas baterias LFP de 5,4 kWh, motores de 1.200 W (1,6 cv) e autonomia de até 70 km, para uma máxima de 39 km/h.

São tuk-tuks, ou autorriquixás, triciclos urbanos com capacidade de carga, operados por guidão, mas com uma caçamba atrás, com capacidade para até 600 kg de lixo.

A estação central onde esses veículos carregam ganhou o nome de “Solinera”. É uma brincadeira com os postos de gasolina no espanhol cubano serem chamados de “gasolinera”. A estação tem 64 paineis gerando 40 kW de energia e opera de manhã até a noite. A natureza do projeto, com energia solar, é uma resposta não apenas aos caminhões de lixo parados, como também aos blecautes que têm atingido a Ilha por conta do embargo.

O plano era que a iniciativa chegasse a 30 veículos e se espalhasse pelo resto da cidade, mas os moradores se queixaram esta semana à Agência Cubana de Notícias que estão faltando transformadores, água na estação e que há apenas 10 veículos operando, pedindo por providências urgentes.

Via CubaDebate, Agencia Cubana de Noticias