Picape elétrica cinza com design minimalista e faróis acesos em movimento por uma rodovia ao anoitecer
Picape elétrica da Slate Auto, que entra em pré-venda nos EUA por US$ 24.950 com foco no essencial | Foto: Slate Auto

A startup americana Slate Auto iniciou a pré-venda de sua picape elétrica com preço de entrada de US$ 24.950 (cerca de R$ 129,9 mil), posicionando o modelo como a caminhonete e o veículo elétrico mais barato dos Estados Unidos (o campeão anterior, o Chevrolet Bolt, começa em US$ 28.995). O valor confirma a meta revisada pela empresa após a perda do crédito fiscal federal de US$ 7.500 para veículos elétricos.

A Slate é uma inciativa iniciada em 2022 chamada então Re:Build Manufacturing. Em seus primeiros anos, operou em silêncio, até ser rebatizada em 2025, quando o seu modelo foi apresentado. A empresa começou com uma aporte de US$ 111 milhões, e entre os maiores financiadores está o fundador da Amazon Jeff Bezos, ainda que o valor exato de seu investimento não sido revelado.

A lousa limpa

Slate em inglês significa literalmente “ardósia”, mas é usada também para a antiga lousa escura da escola, feita desse material. “Blank slate”, significa uma lousa limpa. É uma metáfora para algo que pode ser construído do zero. A ideia é que, com o produto sendo tão básico e modular, os donos façam seu próprio veículo. Coincidência ou não, Slate também é um anagrama para Tesla.

“Blank Slate” é como a marca chama sua versão mais báscia, uma picape de cabine simples sem capota. Mas você pode também configurá-la como um SUV em dois estilos (a US$ 29.950 ou US$ 31.950) ou um “jipe” aberto. São inúmeras opções no site entre diferentes cores, faróis, rodas e outros detalhes.

Com produção prevista para começar no terceiro trimestre nos EUA e primeiras entregas no fim deste ano, o projeto chega ao mercado com proposta ousada: reduzir o veículo ao essencial. A picape dispensa pintura tradicional, central multimídia e sistema de som, adotando uma filosofia de design minimalista voltada à funcionalidade e ao baixo custo.

A Slate aposta em uma proposta de recarga simplificada e acessível. Segundo a empresa, a picape pode ser carregada em uma tomada residencial comum de 120V, em uma saída de 240V, como a usada por secadoras, ou ainda em uma ampla rede de carregadores rápidos compatíveis, incluindo cerca de 29 mil pontos da rede Tesla Supercharger espalhados pelos Estados Unidos. 

A ideia é eliminar barreiras de infraestrutura e tornar o uso diário do veículo tão simples quanto carregar um smartphone, com todos os adaptadores e soluções já incluídos no pacote.

Estratégia de acesso e mercado

O movimento coloca a Slate em confronto indireto com modelos já estabelecidos no mercado, como a Tesla Cybertruck, que parte de mais de US$ 80 mil (R$ 414,7 mil), e a finada Ford F-150 Lightning, que tinha preços iniciais acima de US$ 60 mil (R$ 311 mil). Nesse cenário, a proposta da startup se destaca por mirar um público que prioriza custo total de propriedade e uso profissional.

Para reservar a picape, os interessados precisam pagar um depósito não reembolsável de US$ 300, com prazo limitado para confirmação das datas de entrega. A estratégia busca filtrar compradores realmente comprometidos, em meio a um mercado marcado por altos volumes de pré-reservas nem sempre convertidas em vendas.

A Slate também aposta em um modelo de personalização gradual. O veículo pode ser configurado como picape ou SUV por meio de kits modulares, permitindo evolução ao longo do tempo conforme a necessidade do proprietário. A abordagem reforça a ideia de plataforma flexível, com foco em uso prático e expansão sob demanda.

Viável ou não?

O desafio, agora, está na execução. O setor de veículos elétricos já viu diversas startups enfrentarem dificuldades para transformar projetos em produção em larga escala. A promessa da Slate é entregar um produto simples o suficiente para reduzir custos e riscos industriais, mas ainda competitivo em autonomia, capacidade de carga e desempenho.

Com isso, a picape de US$ 24.950 se torna mais do que um lançamento: é um teste de viabilidade para uma nova lógica de mobilidade elétrica, em que menos recursos podem significar mais acesso. O resultado só será conhecido com a chegada das primeiras unidades às ruas, prevista para o fim de 2026.

A Ford está para lançar uma nova picape compacta, fruto de um ambicioso desenvolvimento de uma nova plataforma. A aposta é que ela seja parecida com a (se não idêntica à) Maverick, e talvez até com o mesmo nome e preço. O alvo da fabricante é US$ 30 mil, mas o seu veículo será de cabine dupla e provavelmente bem menos básico do que a Slate. Como o caso do Kwid E-Tech no Brasil demonstra, preço não é tudo: é preciso que as pessoas não prefiram pagar mais num pacote considerado superior.

Via: Slate Auto