
A Xiaomi adicionou mais um feito inédito ao seu histórico no lendário circuito de Nürburgring, na Alemanha. Conhecida por desafiar limites com seus veículos elétricos, a gigante chinesa levou, no início de junho, o SUV YU7 GT para a pista. O veículo completou uma volta oficial sem nenhum piloto a bordo no tempo de 10:29.483. Com a marca, a empresa garantiu um recorde histórico: a primeira volta autônoma oficialmente cronometrada no circuito.
Nürburgring é considerado um dos autódromos mais desafiadores e perigosos do mundo. Com mais de 19 quilômetros de extensão, o traçado exige o máximo de pilotos e máquinas devido às suas curvas complexas, mudanças bruscas de elevação e asfalto irregular. Tradicionalmente usado por marcas como Porsche, Tesla e NIO para testar o desempenho de seus carros, o circuito agora virou palco para a evolução da inteligência artificial.
A trajetória de recordes da Xiaomi
A Xiaomi não é iniciante no “Inferno Verde”, como é conhecido o circuito de Nürburgring, localizado na região das montanhas de Eifel, na Alemanha. Anteriormente, a marca chocou a indústria com o sedã esportivo SU7 Ultra, conquistando o título de carro de quatro portas mais rápido da pista (na versão protótipo) e estabelecendo marcas impressionantes também com a versão de produção. Pouco depois, o SUV YU7 GT brilhou ao cravar o recorde geral de sua categoria com o tempo de 7:22.755.
Não satisfeita em dominar os tempos com pilotos humanos, a fabricante levou o mesmo YU7 GT de volta à pista no dia 8 de junho. Desta vez, sem ninguém a bordo, o SUV completou o circuito em 10:29.483.
IA vs. humanos
Embora o tempo de 10 minutos e meio pareça alto quando comparado ao recorde humano, uma diferença de mais de três minutos, o feito é um marco tecnológico relevante. Para fins de contexto, esse tempo coloca a inteligência artificial no mesmo patamar de velocidade de carros de corrida históricos da década de 1930 ou de vans comerciais modernas guiadas por especialistas.
A própria Xiaomi reconheceu a disparidade, afirmando que a marca representa apenas um “ponto de partida” para o desenvolvimento da tecnologia, e não o objetivo final. Vídeos divulgados pela empresa e pela administração de Nürburgring mostram as câmeras internas com o volante se movendo sozinho, alcançando a velocidade de 210 km/h na reta principal, embora o veículo tenha adotado uma postura visivelmente cautelosa nas curvas.
O desafio do software nas pistas
A engenharia por trás do feito exigiu modificações profundas. Os sistemas de condução autônoma comerciais são programados para seguir regras de trânsito em vias públicas, e não para gerenciar a física extrema de uma pista de corrida a mais de 200 km/h. Por isso, a Xiaomi utilizou um software personalizado para mapear e executar a volta.
A iniciativa da Xiaomi se soma a outras tentativas históricas de automatizar o automobilismo. Há uma década, a Fórmula E tentou emplacar a Roborace, uma categoria de carros autônomos que enfrentou acidentes e dificuldades técnicas, operando mais como exibições do que como corridas reais (embora tenha chegado a registrar tempos apenas 8% mais lentos que os humanos em ambientes controlados). Atualmente, competições como o Indy Autonomous Challenge e a Formula Student mantêm o foco no desenvolvimento dessa tecnologia por meio de universidades, priorizando a segurança de ultrapassagens em vez da velocidade pura.
Com o feito do YU7 GT, a Xiaomi prova que o futuro do desempenho automotivo também será disputado linha por linha de código.
Via: Electrek
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