Close-up de duas mãos robóticas apertando-se em um gesto de cumprimento. Uma das mãos é branca com detalhes metálicos aparentes, enquanto a outra é preta e brilhante

Para a BYD, a entrada nesse novo segmento é favorecida pela proximidade tecnológica entre veículos inteligentes e robôs humanoides | Foto: Pixabay

Em busca de novas fontes de receita e de ampliar sua presença no setor de robôs humanoides, a BYD anunciou que está desenvolvendo robôs para atuar como consultores de vendas em suas concessionárias. A expectativa é que os primeiros modelos entrem em operação a partir de 2027. Iniciado em 2002, sob um projeto com codinome Yao-Shun-Yu, opera sob a 15ª Unidade de Negócios da BYD, focada em integração eletrônica e inteligência. A montadora planeja investir 100 bilhões de yuans em iniciativas de inteligência artificial e inteligência automotiva.

Segundo dados da Associação de Veículos de Passageiros da China (CPCA), a margem de lucro da indústria automotiva chinesa caiu para 3,4% entre janeiro e abril deste ano, pressionada pela intensa concorrência no mercado de veículos elétricos.

Para a BYD, a entrada nesse novo segmento é favorecida pela proximidade tecnológica entre veículos inteligentes e robôs humanoides. Montadoras e fabricantes de autopeças já dominam áreas como sensores, motores elétricos, sistemas de controle e inteligência artificial, componentes que representam a maior parte dos custos de desenvolvimento e produção desses equipamentos.

A fabricante chinesa pretende utilizar sua ampla rede de concessionárias para comercializar robôs humanoides no futuro, inclusive para uso doméstico. A montadora também planeja criar uma plataforma robótica aberta, capaz de integrar tanto produtos desenvolvidos internamente quanto soluções criadas em parceria com outras empresas. A companhia já trabalha no desenvolvimento de robôs humanoides e busca criar modelos com capacidades cognitivas e motoras igualmente avançadas.

Além de comercializar os equipamentos, a própria BYD poderá se tornar uma das principais usuárias da tecnologia. A empresa avalia empregar robôs como consultores de vendas em suas lojas, especialmente na Europa, para reduzir a dependência de contratações locais e aumentar a eficiência operacional.

Mercado de robôs em expansão

Até o momento, cerca de 20 montadoras em todo o mundo já ingressaram no segmento de robôs humanoides, entre elas GAC, Mercedes-Benz, Tesla, Chery, GWM, BYD e Geely. Especialistas avaliam que esse movimento deve gerar importantes sinergias tecnológicas, acelerando a integração entre as indústrias automotiva e de robótica.

Com processos altamente padronizados, complexos e intensivos em capital, as fábricas de automóveis são consideradas ambientes ideais para testar, aperfeiçoar e escalar essas novas tecnologias. A principal vantagem dos robôs humanoides está na capacidade de executar tarefas com elevado grau de flexibilidade e precisão.

Em um cenário de concorrência cada vez mais acirrada, impulsionada pela eletrificação e pela inteligência artificial, as montadoras buscam novas frentes de crescimento por meio da inovação tecnológica e da ampliação de suas capacidades industriais. Um relatório do Morgan Stanley aponta que a China lidera o mercado global de robôs humanoides, concentrando 52% das empresas do setor. A estimativa é que esse mercado ultrapasse 12 bilhões de yuans (US$ 1,64 bilhão) até 2030.

Dados da consultoria GGII indicam que as vendas globais de robôs humanoides deverão alcançar 12,4 mil unidades até 2025, movimentando cerca de 63,39 bilhões de yuans. Para 2035, a projeção é ainda mais ambiciosa: mais de 5 milhões de unidades comercializadas e um mercado superior a 400 bilhões de yuans.

Apesar das perspectivas promissoras, especialistas ressaltam que a indústria ainda está em estágio inicial de desenvolvimento. Entre os principais desafios estão a criação de sistemas de percepção comparáveis aos humanos e a redução dos elevados custos de pesquisa, desenvolvimento e produção.

No mercado de robôs humanoides, além das vantagens competitivas na cadeia de suprimentos, o setor conta com forte apoio do governo chinês. A chamada “inteligência incorporada” (embodied AI), que integra inteligência artificial a máquinas físicas, aparece pelo segundo ano consecutivo entre as prioridades estratégicas do país e deverá ganhar ainda mais espaço no 15º Plano Quinquenal.

Via: China News