Frente e lateral esquerda de um BYD Racco branco. O design apresenta linhas verticais, vidros escuros, retrovisores pretos e uma assinatura luminosa frontal azul
Racco | BYD | Divulgação

A BYD está prometendo levar uma tecnologia vista no pequeno Racco, seu primeiro kei car elétrico desenvolvido para o Japão, para outros mercados. A notícia pode ser determinante para o lançamento de novos modelos de baixo custo, especialmente na Europa, onde os carros pequenos começam a ganhar espaço novamente.

O X-Pack reúne a bateria e componentes elétricos, como inversores, em um único conjunto instalado sob o assoalho. A solução foi desenvolvida para lidar com uma das principais limitações dos kei cars: o espaço reduzido. Ao concentrar componentes que normalmente ocupariam áreas diferentes do veículo, a BYD consegue liberar espaço para a cabine sem precisar aumentar as dimensões externas.

O Racco custa a partir de 2,145 milhões de ienes no Japão (˜R$ 68 mil em conversão direta), ou seja, é bastante barato. O modelo já mostrou que existe demanda por esse tipo de carro, com 1.000 pedidos em apenas duas semanas, chegando a 1.002 unidades até 9 de agosto. A versão mais cara, Racco 300 Premium, aliás, respondeu por 80% das encomendas.

O mini-utilitário utiliza duas opções de bateria. A versão de entrada tem 22,4 kWh e autonomia de 210 km pelo ciclo WLTC, enquanto as versões superiores usam uma bateria LFP de 35,84 kWh e chegam a 320 km. Portanto, o Racco não mudou apenas de mercado: sua arquitetura compacta também pode ser adaptada para modelos maiores ou diferentes do kei car original.

Na Europa, a estratégia faz sentido por outro motivo. Entre janeiro e julho de 2026, foram vendidos 102.295 carros elétricos a bateria no segmento de minicarros, alta de 75% em relação ao mesmo período do ano anterior. A BYD avalia produzir um novo modelo na Hungria, o que ajudaria a reduzir o impacto das tarifas e permitiria aproveitar incentivos destinados a veículos produzidos dentro da União Europeia.

A fórmula do Japão em outros mercados

A mudança também acompanha a própria estratégia internacional da BYD. No primeiro semestre de 2026, a receita obtida fora da China chegou a 181,27 bilhões de yuans e representou 52,57% da receita total da empresa pela primeira vez. Levar o conhecimento acumulado com o Racco para mercados como o europeu, que anseia por modelos do tipo, é, portanto, uma grande oportunidade de negócio.

Quanto ao Brasil, não acreditamos que o Racco, com as suas dimensões extremamente compactas, seja exatamente um match com o público brasileiro. Ainda assim, a notícia pode nos beneficiar a médio prazo. Afinal, se a BYD conseguir transformar o X-Pack em uma arquitetura de baixo custo para outros mercados, o conceito pode abrir espaço para elétricos menores e mais baratos também no Brasil, onde o preço continua sendo uma das principais barreiras para a expansão dos carros elétricos.

Via CnevPost