Sedã elétrico BYD Seal na cor lilás circulando em área urbana, equipado com sensores para testes de direção autônoma
BYD Seal inicia testes com nova plataforma de direção autônoma para reduzir custos de produção e ampliar a tecnologia de condução inteligente | BYD/Divulgação

A BYD iniciou os testes do novo sistema de assistência ao motorista no BYD Seal, utilizando a plataforma Horizon Super Drive 2.0, tecnologia que promete ampliar os recursos de condução inteligente e, ao mesmo tempo, reduzir significativamente os custos de produção dos veículos elétricos.

Os testes foram realizados na linha de produção após uma inspeção conjunta do veículo. O presidente da BYD, Wang Chuanfu, participou da avaliação ao lado de Yu Kai, CEO da Horizon Robotics, empresa responsável pela plataforma de software que equipa a nova geração dos sistemas ADAS (Advanced Driver Assistance Systems).

Melhora no desempenho do ADAS

Nesta fase, a engenharia da BYD trabalha na integração do Horizon Super Drive 2.0 à arquitetura eletrônica do Seal. A configuração conecta diretamente as câmeras do veículo ao controlador central de domínio, reduzindo a latência na comunicação entre sensores e processadores.

Na prática, essa arquitetura permite respostas mais rápidas dos sistemas de assistência ao motorista e prepara o veículo para funções mais avançadas de condução inteligente nas próximas atualizações.

A estratégia também serve como etapa intermediária antes da chegada da próxima geração de hardware desenvolvida pela própria BYD.

Economia pode chegar a R$ 3.080 por veículo

Mais do que um avanço tecnológico, a iniciativa possui forte impacto financeiro. Segundo estimativas da indústria, a utilização de processadores externos capazes de integrar as funções da cabine digital e dos sistemas de condução reduz os custos de fabricação entre CN¥ 1.500 e CN¥ 4.000 por automóvel, cerca de R$ 1.155 e R$ 3.080 por unidade.

Essa redução é especialmente importante em um mercado onde a guerra de preços entre fabricantes chinesas continua intensa. Quanto menor o custo dos componentes, maior a possibilidade de oferecer tecnologias avançadas em modelos de entrada sem comprometer a rentabilidade.

Chip próprio da BYD ainda levará tempo

Embora a fabricante já tenha revelado o processador proprietário Xuanji A3, produzido em litografia de 4 nanômetros e com capacidade de processamento de 700 TOPS, sua estreia comercial ainda não acontecerá imediatamente.

A expectativa inicial era de que o chip substituísse rapidamente fornecedores externos, mas o processo de validação e homologação exigirá mais tempo.

As informações mais recentes apontam que o Xuanji A3 deverá estrear apenas em 2027, equipando inicialmente os modelos premium da Denza, marca de luxo do grupo BYD. Até lá, a Horizon Robotics continuará desempenhando papel estratégico no fornecimento da plataforma de computação utilizada pelos modelos produzidos em grande volume.

Nvidia ainda lidera, mas concorrência cresce

Apesar do avanço dos fornecedores chineses, a Nvidia continua dominando o segmento de controladores de domínio para veículos inteligentes. Dados do mercado chinês referentes a abril mostram que foram instaladas aproximadamente 600 mil plataformas computacionais em automóveis de passeio.

Desse total, a Nvidia respondeu por 50,9% do mercado, com mais de 300 mil unidades fornecidas. A Horizon Robotics aparece como uma das empresas que mais crescem no setor, alcançando 13,6% de participação, com mais de 80 mil plataformas instaladas.

Além disso, a empresa já forneceu cerca de 2,5 milhões de processadores para os programas de assistência ao motorista da BYD, consolidando-se como uma das principais parceiras tecnológicas da montadora.

Escala e competitividade

Ao manter fornecedores externos enquanto desenvolve seu próprio chip, a BYD evita riscos na cadeia de suprimentos e garante estabilidade para a produção em larga escala.

O BYD Seal torna-se, assim, um dos primeiros modelos da fabricante a servir como plataforma de testes para essa nova geração de direção inteligente, reunindo software mais avançado, redução de custos e uma estratégia industrial capaz de fortalecer a competitividade da marca frente à Nvidia e aos demais fornecedores globais de tecnologia automotiva.

Se os testes forem bem-sucedidos, a expectativa é que a nova plataforma seja expandida para outros modelos da BYD antes da chegada definitiva do chip Xuanji A3, prevista para 2027.

Via: Car News China