Ilustração de uma bateria
Baterias não são descartáveis | Getty Images / Unsplash+

A Aviloo, uma empresa austríaca de testes de bateria que atua no Brasil, acaba de publicar o que afirma ser o maior estudo independente sobre baterias de carros elétricos. Após mais de 500 mil testes realizados entre 2022 e 2026 na Europa, Ásia e Américas, o levantamento mostra que a saúde das baterias continua relativamente alta mesmo com o avanço da quilometragem, embora existam diferenças importantes entre modelos e, principalmente, entre carros iguais. A base considera 20 modelos e faz parte de um banco global com mais de 1 milhão de testes.

Há um porém para o Brasil: não há nenhuma marca chinesa, já que elas são banidas dos EUA e ainda pouco presentes na Europa. Abaixo os modelos testados, com os que estão ou já estiveram oficialmente disponíveis por aqui em negrito, e seus resultados aos 150 mil km de uso.

ModeloMin %Med %Max %
Audi Q4 e-tron83,2390,6294,87
Audi Q8 e-tron83,6891,2795,87
BMW i487,4893,6296,90
Cupra Born84,9291,8795,87
Ford Mustang Mach-E85,3292,5396,14
Hyundai Ioniq 586,7293,7997,81
Hyundai Kona EV86,1092,9597,53
Mercedes-Benz EQA87,4393,9797,12
MINI Cooper SE77,4687,1193,85
Nissan Leaf (ZE1)77,8286,6793,09
Opel/Vauxhall Corsa-e81,4590,7095,33
Peugeot e-20881,4790,7295,37
Polestar 285,9092,4696,30
Renault Zoe79,5887,3392,19
Škoda Enyaq iV83,6991,0495,22
Tesla Model 380,2888,9494,53
Tesla Model Y82,9090,3294,94
Volvo XC40 Recharge86,3292,7996,44
VW ID.384,9691,8295,69
VW ID.483,4090,7594,91

Na tabela acima, “Min %” é o pior resultado avaliado, “Med %” é a mediana e “Max %” é o melhor resultado. Assim, o pior de todos os resultados foi com um Mini Cooper SE, que tinha 77,46% de bateria aos 150 mil km – uma perda de 22,64%. Como o modelo tem 303 km de autonomia (pelo Inmetro), ele perdeu 74,6 km de autonomia, terminando com apenas 228 km.

E o melhor caso foi o de um Hyundai Ioniq 5 que manteve 97,81% de sua bateria, perdendo apenas 2,19% em 150 mil km de uso. Neste caso, como sua autonomia é de 374 km, ele perdeu apenas 8 km, terminando em 366 km.

Mas esses são os extremos. Quando você pega a mediana, o carro que se saiu melhor foi o Mercedes-Benz EQA, mantendo 93,97% de sua bateria como seu resultado mais típico, enquanto o pior foi Nissan Leaf segunda geração, com 86,67% de capacidade mantida. Esse modelo foi vendido entre 2017 e 2025, e tinha 240 km de autonomia (EPA). Os 13,33% de autonomia perdida representam 32 km, com o carro terminando a 208 km aos 150 mil km no odômetro.

A mediana da mediana é 91,155%. Isso é o valor mais típico que um carro elétrico nas marcas testadas mantém após 150 mil km, com uma perda de 8,85%. Se um carro tivesse 400 km de autonomia ao sair da loja, aos 150 mil km, tipicamente ele teria perdido 35,4 km, mantendo 365 km ao final.

As diferenças entre os modelos

Uma outra conclusão importante do estudo não está na comparação entre marcas, mas na variação individual: dois carros do mesmo modelo podem apresentar diferenças de até 13,5 pontos percentuais na saúde da bateria. No caso do Tesla Model Y, por exemplo, a variação chega a 11% aos 150 mil km. Isso significa que a quilometragem sozinha não é um bom indicador da condição da bateria de um carro usado.

O estudo também mostra por que uma diferença aparentemente pequena no SoH pode ser relevante no uso diário. No Model Y analisado, a queda de 94,5% para 90,3% representa uma redução da autonomia real estimada de aproximadamente 379 km para 362 km por carga. No Ioniq 5, o alcance estimado cai de 335 km para 319 km no mesmo intervalo. Clima, idade, ciclos de carga e características da bateria também influenciam o desgaste.

A ausência chinesa

A pesquisa incluiu o Brasil, mas não os modelos mais vendidos, que são chineses. Em relação aos ocidentais, a maior diferença é a tecnologia de bateria. As fabricantes chinesas usam baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP), enquanto as ocidentais costumam preferir a tecnologia de manganês-níquel-cobalto (NMC).

As baterias LFP na verdade duram mais que as NMC. Elas podem durar entre 4 mil e 8 mil ciclos de carregamento, enquanto as outras ficam entre 1.500 e 3.000 ciclos (veja aqui um comparativo). Recentemente a BYD fez um teste extremo com sua bateria Blade 2 no Yangwang U7, fazendo-o rodar 30 mil km em oito dias e usando carregamento ultrarrápido. O carro perdeu apenas 1,3% de sua capacidade. Em resumo, os 91,115% provavelmente sejam aproximação pessimista para o que esperar de carros chineses, particularmente os mais modernos.

Outra lição do estudo é que, não importa a marca ou a quilometragem, para quem quer comprar elétricos usados, realizar um teste da saúde da bateria é fundamental.

Via Aviloo