Ilustração de carro elétrico carregando
Cenário do Brasil | Ilustração: Insaanu Studio / Unsplash+

A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) lançou um comunicado à imprensa com uma previsão: até o final deste mês, o Brasil chegará a um milhão de carros eletrificados.

A definição da ABVE inclui elétricos (BEV) e híbridos (PHEV e HEV), mas não híbridos leves (MHEV), porque esses últimos não podem se locomover com propulsão elétrica. Segundo a instituição, a frota eletrificada nacional chegou a 950.183 unidades em agosto passado, e as vendas no mês foram de 57.386 unidades. Assim, exceto se a tendência se inverter, é quase certo que o milhão chegará em algum momento perto do fim deste mês.

“Nossa expectativa é chegar ao primeiro milhão nas próximas semanas, ainda este mês” – afirma o presidente da ABVE, Ricardo Bastos. “É um número extraordinário para um mercado que começou vendendo 117 unidades em 2012, alcançou 1.091 em 2016 e deve terminar 2026 com cerca de 450 mil”.

O boom de 2026

Esse milhão, é bom notar, é menos de 1% dos 124 milhões de veículos que circulam pelo Brasil, que têm uma idade média elevada, de 15,43 anos. A transição das vendas virá muito antes daquela do que está nas ruas.

Mas estamos num momento de boom, que se mede pelas vendas acumuladas. A média mensal deste ano foi de 41.060 veículos, 260% acima da média do mesmo período de 2025. Até agosto, as vendas já superam em 47% tudo o que foi emplacado no ano passado.

Bastos ainda revela uma preocupação que também nos ocorreu: como a indústria vai se adaptar – em particular a de autopeças.

“Esses números mostram que a eletromobilidade já chegou ao Brasil, ela já é o principal vetor de crescimento do mercado automotivo”, afirma. “O consumidor já vê o veículo eletrificado como sua principal opção de compra. Agora, temos de olhar para a frente e aproveitar essa nova realidade para desenvolver e recuperar a competitividade da indústria nacional, tanto no setor automotivo quanto no setor de autopeças.”

Nosso take

A única coisa a acrescentar do nosso lado é a mudança no perfil das vendas de eletrificados, e o favorecimento cada dia maior dos modelos plug-in.

Esta é a evolução do mercado no último ano, considerando apenas automóveis – já que as vendas de comerciais leves ainda são um traço estatístico. Você pode ver como a linha dos eletrificados plug-in (PHEV e BEV) vai se alargando em relação às outras, com a faixa dos MHEV terminando mais estreita que no começo do período.

Essa evolução é de particular interesse para o evdrops porque, enquanto a ABVE é uma associação da indústria, para a qual importa a motorização, nós falamos em transição energética. Híbridos convencionais se movem apenas com combustíveis, então eles não fazem parte dessa transição, diferente dos híbridos plug-in, que podem andar apenas com eletricidade. Do ponto de vista do consumidor, também faz toda a diferença economizar até 80% para mover seu carro.

Em agosto de 2026, os modelos plug-in representaram 83% das vendas de eletrificados, 47,3% sendo elétricos puros e 35,8% híbridos plug-in. Em agosto de 2025, eram 78%. Os modelos não plug-in caíram de 22% para 17%, deixando claro que há uma transição também entre os eletrificados.

Via ABVE