Uma ampla reportagem do site especializado Carbon Brief (CB) analisou as emissões de gases-estufa da China neste ano e chegou a algumas conclusões interessantes sobre o processo de eletrificação: o país consumiu mais carvão do que antes, mas ainda assim suas emissões caíram 1% no último trimestre.
As emissões da China seguem sendo as maiores entre todos os países do mundo, mas estão basicamente estáveis desde 2024. Conforme pode ser visto no gráfico abaixo:

E, entre essas emissões, o carvão é o grande mal do país: cerca de 50% de sua geração elétrica vem desse combustível fóssil, que é um dos maiores causadores do efeito estufa, emitindo 27% a mais que o petróleo. Essa matriz suja é usada como argumento para a União Europeia taxar os carros chineses, já que ela leva a maiores emissões na fabricação e até mesmo foi usada no Brasil como argumento em favor dos carros flex.
Segundo a CB, no último trimestre, o consumo de carvão para a geração de energia subiu 2,4%. Mas o consumo de derivados de petróleo no transporte caiu 16% no mesmo período, mais que compensando esse aumento.
Por que a China consumiu mais carvão? Segundo a análise, porque o semestre registrou ventos extremamente desfavoráveis, prejudicando a geração eólica, e a geração solar acabou desperdiçada por falhas na distribuição.

O benefício dos elétricos na China
O número demonstra um fato sobre veículos elétricos: o de que, mesmo quando a matriz elétrica é suja, eles diminuem as emissões, porque é mais eficiente queimar combustíveis em grandes usinas do que num motor de carro, usando caminhões para transportá-los para os postos de combustível.

Note que falamos “veículos”, não “carros”: 90% do consumo evitado foi por caminhões de diversos tamanhos. Atualmente na China, segundo números citados pela CB, 45% dos caminhões novos são elétricos. As vendas subiram 75% no ano a ano.
Mesmo considerando a geração de energia adicional por fontes sujas, 35 milhões de toneladas de emissões foram evitadas pela eletrificação, ou 1,3% das emissões totais da China. A publicação considera que a redução no consumo de derivados de petróleo na China causada por veículos elétricos é equivalente ao consumo total do Reino Unido no período.
O paradoxo de Ormuz
Na análise da CB, tudo é considerado mais um efeito paradoxal da crise do Estreito de Ormuz, que causou instabilidade nos preços de combustíveis e motivou países e consumidores a apertar o passo na transição energética. Os efeitos foram sentidos possivelmente até no Brasil, onde o governo e os biocombustíveis evitaram o pior dos aumentos, mas ainda assim tivemos um boom de elétricos muito maior que o europeu.
No caso da China, no começo do ano, antes da crise, a Sinopec (estatal chinesa de petróleo, equivalente à Petrobras) estimou que haveria uma queda de 5% a 6% no consumo de diesel e gasolina neste ano, mas ela já foi de 9% no primeiro semestre.
A indústria de carros na China está em crise, com quedas em todo tipo de motorização – menos nos elétricos.
Via Carbon Brief
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