
Quando olhamos as vendas de carros no Brasil, entre varejo e vendas diretas, parecemos estar em dois países diferentes. No varejo, entre os cinco mais vendidos, três modelos são elétricos, um é híbrido plug-in, e três deles são da BYD – já em vendas diretas, não há nenhum eletrificado entre os dez mais vendidos.
Durante o evento de lançamento do híbrido plug-in Atto 2, tivemos a chance de conversar com Alexandre Aquino, diretor de produto & treinamento da BYD Brasil.
O Atto 2 já estreia com uma versão exclusiva para vendas diretas. Perguntamos sobre o modelo e se isso, e o fato de ser um híbrido, pode finalmente abrir essa modalidade para a eletrificação. Estas foram suas respostas.
Fábio Marton (evdrops): Já era o plano da BYD desde que chegou ao Brasil tornar seus híbridos flex?
Alexandre Aquino (BYD): Sim, era um caminho de desenvolvimento já idealizado há algum tempo, porque o Brasil tem o etanol como um dos grandes diferenciais versus os outros países. Então era algo que fazia muito sentido conjugar com a tecnologia híbrida e elétrica para poder proporcionar aos clientes aquilo que eles mais querem, que é justamente a flexibilidade de poder escolher entre gasolina, etanol ou a eletricidade. E a gente chegou lá na primeira vez agora, com o Atto 2 produzido em Camaçari.
A gente tem notado muito uma explosão do elétrico puro no Brasil. Você acha que um lançamento como o Atto 2 pode mudar a balança em favor dos híbridos?
Essa é uma história que precisa partir do perfil do cliente. Quando o cliente chega na concessionária para comprar um carro, ele faz a decisão. Se ele quer um elétrico, que permite a ele versatilidade no uso diário sem precisar ir no posto de gasolina e que ele tenha as distâncias que ele precisa cumprir no seu dia-a-dia com a disponibilidade de carregamento nas suas mãos. Ou se é uma pessoa que precisa percorrer algumas distâncias que justificam ter um carro híbrido, pois permite que ele vá mais longe com as duas tecnologias combinadas. Então, parte muito da necessidade específica de cada cliente.
Como é isso de duas versões do Atto 2 serem disponíveis só em venda direta ou só varejo?
A versão GL é a venda direta, então ela necessita de um pedido colocado para que a fábrica produza e entregue esse carro. O GS não, já está disponível no estoque da concessionária e aí ele vende no varejo para quem quiser, seja CNPJ ou CPF.
Essa metodologia pode parecer estranha, mas ela já é assim no Song Pro hoje. Se você chegar querendo comprar um Song Pro na concessionária hoje, tem a versão GL que é a venda direta, direto da BYD, mas não está no estoque da concessionária. E tem a versão GLS que está no estoque da concessionária para venda no showroom.
E essa versão GL é um tanto limitada, com autonomia de 45 km. É por conta de ser para pessoas jurídicas? Vocês tem um perfil particular em particular de cliente em mente?
Nã, acho que há uma grande diferença no perfil. Basicamente, o que conta é o quanto o cliente deseja circular no modo 100% elétrico, já que uma versão terá autonomia máxima de até 45 km e a outra de até 110 km, dependendo da capacidade da bateria. Acredito que a escolha esteja muito relacionada, principalmente, à oferta de equipamentos. A versão GS tem teto solar de série, bancos em couro, o pacote ADAS mais completo com 10 itens e a tela maior de 12.8 polegadas. Acho que é um conjunto de tudo.
A BYD teve 22% de vendas diretas no último mês. Essa nova oferta deve incentivar um aumento nesse segmento? Parece haver uma resistência do empresariado e locadoras em eletrificar.
Não acredito que haja resistência. Hoje o mercado brasileiro, ele é dividido basicamente em três fatias. A primeira dela, venda varejo, 50% do total. Venda direta, para cliente final, que é mais ou menos 25% total e venda direta para locadora. Você divide ali a pizza em três fatias, 50, 25, 25.
Naturalmente, a montadora quando ela ganha volume da ordem de grandeza da BYD, ela vai se aproximando a essa distribuição natural de mercado. Então, a gente hoje já tem alguma venda para locadora, que não chega a 25% do nosso total nem de longe, mas a gente já tem uma fatia de venda direta, a uma fatia que deve ampliar com a mesma receita aplicada no Song Pro e agora no Atto 2. .Então, naturalmente deve se equilibrar para esse volume. Mas isso demora muito tempo, mas não tem um pensamento estratégico ligado exatamente a versão elétrica no varejo.
A locadora não tem prioridades muito diferentes de um cliente comum? As pessoas, afinal, alugam carros para viagens, e não querem ter dor de cabeça com infraestrutura. Por conta disso, não são elas um ponto de resistência à eletrificação?
Isso está mudando, e está mudando rápido. Tem a questão da locação de longo prazo. Por exemplo, você tem a locação de três anos, onde você pega um carro, você paga mensalmente por esse carro e, ao final de três anos, você ou renova o contrato, ou devolve o carro ou troca por outro. Então, a locação de longo prazo substitui a venda do veículo para um perfil de cliente que não quer desembolsar nesse valor à vista e prefere pagar mensalmente para ter o carro. Essa modalidade tem crescido e se encaixa nos negócios das locadoras. Algumas montadoras, inclusive, têm locadora própria, mas não é o caso do BYD.
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