A Mercedes fez a estreia mundial, em em Los Angeles (EUA), na última terça-feira (19/05), do AMG GT EV, Coupe 2027, seu primeiro modelo elétrico desenvolvido do zero e o mais poderoso já produzido pela marca. Com potência combinada de 860 kW (1.169 cv), na versão GT 63 e aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 2 segundos, o carro supera até mesmo o AMG ONE, modelo híbrido de U$2,7 milhões que até então detinha o recorde de potência da fabricante, com 1.064 cv.

AMG GT EV traz motorização inédita

O modelo quatro portas é construído sobre a nova plataforma AMG.EA e inaugura, em série, o uso de motores de fluxo axial, tecnologia até então restrita a hipercarros híbridos plug-in (PHEV), como o Koenigsegg Regera e a Ferrari SF 90. 

São três motores no total, sendo um dianteiro e dois traseiros, cada um com menos de 9 cm de espessura, 67% menores e mais leves que motores convencionais, com o dobro da densidade de torque. A bateria de 106 kWh opera em arquitetura de 800V e aceita carregamento acima de 600 kW, capaz de ir de 10% a 80% em apenas 11 minutos, o carregamento mais rápido entre EVs não chineses disponíveis no mercado.

A autonomia estimada pelo ciclo europeu varia entre 595 e 760 km, com expectativa de ao menos 480 km pelo ciclo americano EPA. A versão de entrada, GT 55, entrega 805 cv e acelera de 0 a 100 km/h em 2,4 segundos. Ambas as versões atingem velocidade máxima de 300 km/h com o pacote esportivo opcional.

São sete programas de condução no AMG Dynamic Select como o AMG Force Sport+, para quem deseja aproveitar tudo o que o modelo oferece. No entanto, tal potência exige estabilidade e agilidade. O sistema Aerokinect ativo maximiza a força descendente de forma eficiente, enquanto a suspensão AMG Active Ride Control suaviza a pilotagem. A tração integral AMG Performance 4MATIC+ distribui a potência para garantir a segurança na condução.

Inovações do esportivo

O difusor traseiro ativo, descrito pela Mercedes como inédito no mundo, está entre as inovações técnicas do veículo. A suspensão a ar de série ajusta a altura do veículo automaticamente conforme a velocidade. O coeficiente aerodinâmico de arrasto é de apenas 0,22. O peso, porém, chega a 2.464 kg, próximo ao do BMW M5 híbrido atual.

No interior, o cockpit é típico de um esportivo de alto desempenho, mas reúne todo o refinamento da marca da estrela de três pontas. Os quatro lugares contam com bancos fortemente contornados e múltiplas telas dominam o painel, entregando uma experiência que equilibra performance e luxo. Um detalhe salta aos olhos: a iluminação ambiente de alta resolução e o teto panorâmico de vidro Sky Control, eletrocrômico, com transparência ajustável, criam uma atmosfera totalmente personalizável, com pinturas e materiais exclusivos da Manufaktur.

Uma solução engenhosa no assoalho da bateria cria uma espécie de “garagens para os pés” dos passageiros traseiros, garantindo espaço e posição de assento mais baixa, problema clássico em EVs de piso plano.

No lançamento deste esportivo, o aspecto mais polêmico é a simulação de motor V8 a combustão: sons gravados dos motores AMG, câmbio fictício de 9 marchas acionado por borboletas no volante, e até vibrações nos bancos para imitar o torque do propulsor anterior. O recurso é ativado por padrão no modo Sport+ e pode ser desligado pelo motorista. No modo Race, a simulação é suspensa e o carro entrega toda a potência elétrica sem interrupções ou sons.

O AMG GT 55 chega às concessionárias americanas ainda em 2026, com o GT 63 previsto para o início de 2027. Os preços não foram divulgados, mas a Mercedes sinalizou estratégia semelhante à do modelo anterior, o que indica valores acima de U$150 mil, segundo a Mercedes. Sem previsão de desembarcar por aqui. 

Via Mecedes AMG, Mercedes USA