Milhares de carros aguardando transporte num porto, em foto aérea
Carros no porto | Getty Images

A Agência Internacional de Energia (IEA) acaba de publicar seu relatório anual Global EV Outlook. Nele, a instituição traz conclusões sobre o comportamento do mercado em 2025 e no primeiro trimestre, e também faz uma previsão para o fim do ano: a de que atinjamos, mundialmente, uma proporção 30% dos emplacamentos mundiais como veículos eletrificados, num total de 23 milhões, dos quais a maioria deve ser de elétricos puros – e chineses.

Em 2025, a IEA notou que eletrificados subiram 20% mundialmente, atingindo um total de 20 milhões de unidades. 60% deles foram produzidos na China. Em 40 países, mais de 10% dos emplacamentos foram nessa categoria. O Brasil não foi um deles.

E, nesta parte, parece que a IEA cometeu um erro. O Brasil ficou fora da lista, que inlclui a Colômbia e o México, porque o relatório afirma que 9% dos veículos vendidos em 2025 no Brasil eram eletrificados.

Em janeiro de 2025, segundo dados da Fenabrave cruzados com os da ABVE, o Brasil produziu 123.359 carros, dos quais 12.556 eram elétricos. Esse número já representava 10% dos emplacameantos então, e terminou o ano em 33.905 unidades, de um total de 210.732 – chegando a 16%. O número de eletrificados registrados no relatório da IEA foi de 180 mil, mas a ABVE contou 221.624 – uma diferença considerável de 41 mil emplacamentos. O total de carros entrando em circulação no Brasil em 2025, pela Fenabrave, foi de 1.996.531 unidades – o ano, assim, fecha em 11% de eletrificados.

E , independentemente de erro, os dados envelheceram rápido. Os eletrificados marcaram 20% em abril no Brasil. E a IEA notou que o Brasil era um dos poucos países nos quais híbridos plug-in (PHEV) vendiam mais que elétricos puros (BEV), mas essa proporção já mudou no começo do ano, com elétricos sendo a categoria individual mais vendida atualmente, e o número deve se manter em maio.

Espaço para crescer no Brasil

Ainda assim, dá para ver que, mesmo com o crescimento explosivo, o Brasil precisa avançar para chegar na média mundial. O que, realisticamente, aponta que esse crescimento ainda tem espaço para continuar.

O Brasil, aliás, é citado como um país com basicamente políticas negativas – o retorno do imposto integral de 35% para elétricos (ou não) chineses. Isso vem em contraste com outros países da América Latina, que têm descontos em importações de elétricos.

Ainda assim, por seu tamanho, o Brasil domina de longe os emplacamentos na região. 75% deles foram ou aqui ou no México nos últimos anos.

Emplacamentos de eletrificados na América Latina entre 2021 e 2025, pela IEA
Emplacamentos na América Latina entre 2021 e 2025 | Gráfico: IEA

E, enquanto as vendas mundiais caíram 8% no comparativo anual, puxadas por retrocessos em incentivos nos EUA e na China (sim), no Brasil elas subiram 85% segundo a IEA, superando a média de 75% da América Latina, mas ficando atrás dos 300% no México. (Segundo a ABVE, o crescimento foi de mais de 100%, de 39.858 emplacamentos no primeiro trimestre de 2025 para 83.252 em 2026.)

E a IEA calcula que, sem nenhuma mudança de políticas públicas, em 2035 os EVs sejam 510 milhões na frota mundial, contra 80 milhões hoje. Isso seria 25% da frota circulante de então, segundo a previsão do Goldman Sachs para cerca de 2 bilhões de veículos em 2025.

A questão do Oriente Médio

Um grande motivador encontrado pela IEA, cujo diretor chegou a dizer que “o vaso quebrou” na forma como o mundo enxerga o petróleo, é a crise do Estreito de Ormuz.

“Vendas de carros elétricos quebraram recordes em cerca de 100 países no ano passado”, afirma o diretor executivo da IEA, Fatih Birol. “A popularidade crescente dos EVs marcou uma grande mudança nos mercados de automóveis e nos sistemas energéticos como um todo – e está provendo algum alívio agora, em meio ao maior choque de suprimento de petróleo da história. Olhando para o futuro, as quedas de preços de baterias que temos observado e as potenciais respostas em políticas regulatórias para a crise de energia atual podem dar ainda mais impulso aos mercados de EVs.”

Veja o relatório completo neste link.

Via IEA