Pessoa conecta cabo em carregador de veículo elétrico
Estudo do MIT concluiu que carros elétricos apresentam vantagens ambientais e econômicas na maioria dos cenários de uso | Foto: Unplash

Os carros elétricos podem ser mais sustentáveis e mais econômicos do que os veículos movidos a gasolina em praticamente qualquer região dos Estados Unidos. Essa é a principal conclusão de um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), publicado na revista científica Environmental Research Letters.

A pesquisa, assinada por Massimo Miotti e Jessika E. Trancik, analisou como fatores regionais e individuais influenciam as emissões de gases de efeito estufa e os custos de propriedade de veículos elétricos a bateria (BEVs), híbridos plug-in (PHEVs) e modelos com motor a combustão interna (ICEVs).

Segundo os autores, o trabalho é um dos mais abrangentes já realizados sobre o tema, pois considera simultaneamente variáveis como matriz elétrica, hábitos de condução, clima, preços de energia, congestionamentos, taxas e características de uso dos veículos.

Redução de emissões ocorre em quase todos os cenários

Os resultados mostram que os veículos totalmente elétricos reduzem, em média, entre 40% e 60% das emissões de gases de efeito estufa em comparação com modelos equivalentes movidos a gasolina. Dependendo das condições locais e do perfil de uso, essa redução pode variar de praticamente zero até 82%.

A composição da rede elétrica regional foi identificada como o principal fator responsável pelas diferenças entre localidades. Ainda assim, mesmo em áreas onde a geração de eletricidade depende mais de combustíveis fósseis, os veículos elétricos geralmente apresentam desempenho ambiental superior aos modelos convencionais.

Os pesquisadores destacam que, à medida que a geração de energia se torna mais limpa, os benefícios ambientais dos veículos elétricos tendem a aumentar e a se tornar mais uniformes.

Híbridos plug-in também apresentam ganhos significativos

O estudo avaliou ainda os híbridos plug-in e constatou que, quando recarregados regularmente, esses modelos podem alcançar entre 80% e 90% dos benefícios ambientais dos veículos totalmente elétricos em áreas urbanas.

Nas regiões rurais, onde as distâncias percorridas costumam ser maiores e há menor incidência de tráfego urbano, os híbridos plug-in atingem cerca de 60% das reduções de emissões observadas nos elétricos puros.

Hábitos do motorista fazem grande diferença

Um dos achados mais relevantes da pesquisa é que o comportamento individual pode influenciar tanto os resultados quanto todos os fatores regionais combinados.

A quilometragem anual, o tempo gasto em congestionamentos, a frequência de recarga e o tipo de trajeto realizado afetam significativamente o impacto ambiental e os custos dos veículos eletrificados.

Os pesquisadores observaram que motoristas que percorrem maiores distâncias anuais, utilizam veículos maiores e circulam frequentemente em áreas urbanas tendem a obter os maiores benefícios ao migrar para um veículo elétrico.

Clima frio não elimina as vantagens dos elétricos

A pesquisa também contesta uma das críticas mais frequentes aos veículos elétricos: a de que eles perderiam sua eficiência em regiões frias.

Embora as baixas temperaturas reduzam temporariamente o desempenho das baterias, os autores verificaram que o impacto anual sobre as emissões é relativamente pequeno. Dessa forma, mesmo em climas rigorosos, os veículos elétricos continuam apresentando vantagens ambientais relevantes.

Custos já são competitivos em grande parte do mercado

Além das emissões, o estudo analisou os custos totais de propriedade dos veículos. O preço da eletricidade foi apontado como o principal fator para determinar a competitividade dos elétricos frente aos modelos a combustão, seguido pelos preços da gasolina e pelas tarifas locais.

Apesar do custo inicial geralmente mais elevado, os veículos elétricos se beneficiam de despesas menores com energia e manutenção. Como resultado, em muitas regiões dos Estados Unidos, especialmente onde a eletricidade é mais barata, os custos totais já são equivalentes ou inferiores aos dos veículos movidos a gasolina, mesmo sem incentivos governamentais.

Impacto para empresas e frotas

Os resultados também têm implicações para empresas e gestores de frotas. Segundo os pesquisadores, organizações que operam veículos com alta quilometragem anual e forte presença em ambientes urbanos podem alcançar reduções expressivas de emissões com uma adoção relativamente pequena de veículos elétricos.

Os cálculos mostram que uma frota nessas condições precisaria substituir apenas 9% dos veículos por modelos totalmente elétricos para reduzir suas emissões totais em 10%. Em contrapartida, uma frota com baixa quilometragem anual e pouca circulação urbana precisaria eletrificar cerca de 42% dos veículos para atingir o mesmo resultado.

Ferramenta para consumidores e formuladores de políticas

Com base nos resultados, os pesquisadores atualizaram uma plataforma pública, a Carboncounter.com, que permite comparar emissões e custos de diferentes tipos de veículos de acordo com a localização e o perfil de uso do motorista.

Segundo os autores, a ferramenta pode ajudar consumidores a tomar decisões mais informadas e auxiliar governos e empresas na elaboração de estratégias de descarbonização do transporte.

Via: Iop Science