
Para não dizer que não falamos em flores: boas notícias para a Tesla. Ela recuperou sua posição como maior fabricante elétrico mundial, tomada pela BYD no ano passado, e pode ter retomado também seu trabalho em criar modelos para o consumidor.
O pode ter é um termo de controvérsia. Ontem, uma longa reportagem da agência Reuters ouviu fontes da indústria familiarizadas com o assunto e afirmou que a Tesla está desenvolvendo um elétrico compacto, com quatro lugares, mais barato que qualquer modelo atual, e não é um robotáxi. Ou não exclusivamente.
Segundo a Reuters, a fabricante contatou fornecedores nas últimas semanas para discutir o plano para um SUV compacto de 4.28m de comprimento e 1,5 tonelada, não baseado em nenhum modelo atual. Foram discutidas as especificações e o processo de manufatura de diversos componentes novos.
Três pessoas ouvidas disseram que o compacto será produzido na China, e outra que o plano é levar a produção também à Europa e Estados Unidos.
NOTA: A matéria original foi em 09/04. Hoje (10/04) a Tesla negou, por fontes chinesas, de que esteja desenvolvendo esse modelo. Mas, como notou o Electrek, a Tesla não tem uma relação boa com veículos de notícias. No caso que mencionamos abaixo, em 2024, ela havia negado o cancelamento do projeto, com Musk até chamando a própria Reuters de “mentirosa”, para depois confirmar tudo.
Uma longa transição
A Tesla já vem dizendo há tempos que quer sair do negócio de carros para o consumidor e se focar em robotáxis e robôs humanóides. Em 2024, Elon Musk havia anunciado o cancelamento do projeto de um Tesla de baixo custo, citando essa transição. Mais recentemente, num balanço que indicou pela primeira vez uma queda no lucro anual, Elon Musk reafirmou o compromisso de mudar de ramo e cancelou dois modelos, o S e o Y.
O movimento, assim, soa como um recuo nessa decisão. Um funcionário ouvido pelo Reuters falou que, na verdade, não há recuo. Ou não totalmente: será um carro que poderá ter ou não volante conforme a versão, servindo para funcionar de forma autônoma ou guiado por humanos.
Segundo esse funcionário, a Tesla espera que muitos mercados globais não verão uma adoção em massa de carros autônomos, e que pode haver resistência por parte das autoridades de trânsito. Por isso, é necessário manter carros convencionais na linha.
O produto está ainda na fase inicial de desenvolvimento – o que significa que pode ter o mesmo destino do novo Tesla Roadster, prometido para “breve” desde 2017. Deve ser, segundo as fontes, consideravelmente mais barato que o atual Model 3 sedã de entrada, que custa a partir de US$ 34 mil (~R$ 173 mil) na China e US$ 37 mil (~R$ 188 mil) nos EUA.
Nos EUA, onde os chineses têm seu acesso vedado desde a administração Biden, o elétrico mais barato atualmente é o Nissan Leaf, vendido por cerca de US$ 28 mil (~R$ 142 mil).
Coroa reconquistada (por enquanto)
Em que se pese essa conversa, e as opiniões de seu CEO, que um estudo ter calculado terem custado 1 milhão de veículos a menos vendidos nos EUA, a Tesla não está realmente mal.
Em volume de vendas de carros, a Tesla foi a 12ª maior fabricante em 2025. Em capitalização, ela possui um número famosamente inflado, maior que as outras 15 maiores montadoras do mundo somadas.
No ano passado, a Tesla perdeu sua coroa de maior fabricante de carros elétricos do mundo para a BYD. Mas, com as dificuldades da BYD em casa, no primeiro trimestre, ela voltou a ser a campeã mundial.
Foram 358,023 Teslas entregues entre janeiro e março, um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior. Já a BYD entregou 310.389 elétricos puros no período, uma queda anual de 25%.
Ainda que no Brasil a marca só tenha notícias boas (ou quase), na China ela tem enfrentado dificuldades, e caiu para a 4ª posição entre os maiores fabricantes do país no começo do ano. A BYD está longe de quebrar, mas seu futuro parece estar do outro lado do planeta.
Atualização em 10/04/2025: a Tesla negou as informações da Reuters de que esteja desenvolvendo um modelo acessível.