Navio cargueiro Grande Shanghai atracado no Porto de Itajaí ao por do sol, com casco branco, laranja e verde
Com a chegada do Grande Shanghai, o Porto de Itajaí já soma 7.513 veículos da BYD movimentados em 2026

O Porto de Itajaí, em Santa Catarina, montou uma megaoperação para receber o navio Grande Shanghai, que desembarcou 4.585 veículos da montadora chinesa BYD na última quarta-feira (27/05). A ação envolveu cerca de 150 trabalhadores, 90 caminhões-cegonha para o transporte dos automóveis e o fechamento de ruas no entorno do porto. Esse tipo de movimentação logística é conhecido como operação Ro-Ro (Roll-on/Roll-off).

Com a chegada do Grande Shanghai, o Porto de Itajaí já soma 7.513 veículos da BYD movimentados em 2026. Em meados de junho, o terminal deve receber o navio BYD Changsha, com previsão de desembarque de mais 7.200 veículos, elevando o acumulado do ano para aproximadamente 14.713 unidades.

Somente no primeiro semestre de 2026, a BYD já terá enviado mais veículos ao Brasil pelo Porto de Itajaí do que em todo o ano de 2025, quando foram movimentadas cerca de 8 mil unidades da marca.

Antes da chegada do Grande Shanghai, o porto já contabilizava 2.928 veículos movimentados em operações Ro-Ro neste ano. Com as duas escalas da BYD, o terminal catarinense deve atingir cerca de 14.713 veículos movimentados nesse tipo de operação em 2026.

Em 2025, o Porto de Itajaí já havia movimentado aproximadamente 8 mil veículos da BYD, consolidando a presença da montadora no terminal. Agora, com a previsão de quase 15 mil unidades em 2026, o porto amplia sua participação nas operações automotivas e reforça sua posição estratégica na logística de veículos no Brasil.

Elevação do imposto sobre veículos elétricos e híbridos importados

Com a meta de comercializar 180 mil unidades no Brasil em 2026 e iniciar a fabricação nacional de veículos na fábrica de Camaçari, na Bahia, no fim de julho, a BYD ampliou a importação de veículos antes da elevação do imposto sobre carros híbridos e elétricos importados. A alíquota subirá para 35% a partir de julho.

Atualmente, a unidade na Bahia, que possui área total de 4,6 milhões de m² — a maior da marca fora da China — opera com a montagem dos modelos Dolphin Mini, Song Pro e King no regime SKD (semi knocked down), no qual os veículos chegam parcialmente desmontados.

O governo federal definiu, em 2023, um cronograma de aumento gradual do imposto de importação para carros híbridos e elétricos. A estratégia foi criada para estimular montadoras, principalmente chinesas, a instalarem fábricas no Brasil, já que esses veículos ainda não tinham produção nacional.

Em 2024, as alíquotas começaram em 10% para elétricos, 12% para híbridos plug-in e 0% para híbridos convencionais. Atualmente, os índices já chegaram a 25%, 28% e 30%, respectivamente.

A etapa final do cronograma entra em vigor em julho de 2026, quando todos os modelos passarão a pagar 35% de imposto de importação. O prazo também marca o fim das cotas de isenção, válidas até 30 de junho de 2026. Hoje, os limites são de US$ 43 milhões para híbridos, US$ 75 milhões para híbridos plug-in e US$ 141 milhões para elétricos.

Volume de vendas da BYD no Brasil

Em abril de 2026, a BYD superou a Volkswagen e tornou-se a montadora mais vendida no varejo brasileiro, alcançando 14.911 unidades entregues. Foi a primeira vez que uma fabricante de carros elétricos e híbridos conquistou esse resultado. Em 2025, a marca vendeu 112.915 unidades, tornando o Brasil seu maior mercado fora da China. Para 2026, a meta é entregar 180 mil veículos.

Além da liderança no varejo, a BYD também surpreendeu em abril no ranking geral, que inclui as vendas diretas. Nessa modalidade, a chinesa ficou em quinto lugar, alcançando 8% de participação de mercado, com 18.474 emplacamentos.

De acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), em 2025 foram vendidos 223.912 carros elétricos e híbridos no Brasil, crescimento de 26% em relação a 2024. Metade desse volume foi da BYD, que encerrou o ano com 50,4% do mercado de eletrificados e 112.915 emplacamentos.

Somente no primeiro trimestre de 2026, segundo a ABVE, foram registrados 83.497 veículos eletrificados emplacados no país. A cada 100 veículos leves vendidos no país em abril de 2026 aproximadamente 16 foram eletrificados, considerando as tecnologias BEV, PHEV, HEV e HEV Flex.

E em menos de 12 meses a participação de mercado dos eletrificados praticamente dobrou de tamanho. Em abril, o Mini Dolphin da BYD ficou entre os 10 veículos mais vendidos do mês. E entre as 20 montadoras com maior participação de mercado no país, quatro já são de eletrificados: BYD, GWM, Omoda e Geely.

Com 122.463 unidades vendidas, os quatros primeiros meses de 2026 já representam 54,2% das vendas totais de eletrificados de 2025 (223.912) e uma média mensal de vendas de 30.615 unidades. Tal desempenho indica que a previsão inicial da ABVE de vendas de 270 mil eletrificados em 2026 deverá ser superada e que o segmento de elétricos e híbridos segue aquecido e em expansão no mercado brasileiro.

Via: Porto de Itajaí e ABVE