Uma F15 muito antiga em estado de ruína
O passado | Nikolai Justesen / Unsplash+

Um estudo abrangente da BVRLA (British Vehicle Rental and Leasing Association, “Associação Britânica de Locação e Leasing Veicular”) analisou 47,4 milhões de inspeções MOT no Reino Unido e encontrou uma diferença importante no comportamento de carros elétricos e a gasolina conforme a quilometragem aumenta. E, na comparação, os EVs saíram ganhando.

O nome MOT vem de Ministry of Transport, o ministério dos transportes britânico que criou esse exame. Ele visa medir o quanto um veículo se adequa às condições de rodagem determinadas pelo órgão público. É feito pela primeira vez aos três anos de um veículo e, depois disso, anualmente.

De começo, tudo igual

O estudo descobriu que as taxas de falha entre elétricos e combustão são semelhantes até cerca de 64.000 km, mas a situação muda a partir de aproximadamente 96.000 km. Enquanto a proporção de elétricos reprovados se estabiliza, a dos carros a gasolina continua aumentando. 

Acima de 193.000 km, 16% dos EVs falham na inspeção, contra 23,5% dos modelos a gasolina. Isso significa uma taxa de reprovação cerca de 32% menor entre os elétricos nessa faixa.

O resultado é relevante porque questiona a ideia de que a alta quilometragem seja uma medida das condições de operação em carros elétricos de forma idêntica a como ela é para os carros a combustão. O odômetro comprovadamente conta menos, e há até um número para o quão menos.

Uma das explicações, segundo o estudo da BVRLA (e muitos outros), está na própria construção dos veículos: o conjunto motriz elétrico possui menos componentes mecânicos sujeitos a desgaste do que um motor a combustão e uma transmissão convencional.

Ainda assim, o estudo não é uma prova conclusiva de que todo elétrico seja mais confiável que todo carro a gasolina. Os pesquisadores destacam a necessidade de separar idade e quilometragem, já que a frota elétrica britânica analisada é, em média, mais nova, embora os veículos elétricos tenham rodado mais.

Outro ponto chama a atenção: os elétricos apresentaram uma taxa de defeitos relacionados aos pneus 1,8 vezes maior do que a dos carros a gasolina. O peso elevado de alguns modelos elétricos e o torque instantâneo podem contribuir para esse desgaste, embora o estudo não estabeleça uma relação causal direta.

Degradação da bateria fora da conta

Também é importante entender o que o MOT mede. O teste britânico verifica itens como freios, direção, suspensão, iluminação, rodas, pneus e componentes elétricos, mas não avalia diretamente a capacidade ou a degradação da bateria de tração – neste ponto, o MOT está desatualizado. A legislação britânica determina apenas uma inspeção visual da bateria de propulsão quando ela está acessível.

Portanto, os dados são uma evidência sobre a durabilidade dos veículos em circulação, exceto em suas baterias. Testes de baterias com carros modernos indicam que a degradação observada nos modelos atuais fica em cerca de 2% ao ano. Também é importante lembrar que a frota eletrificada britânica tem uma composição bem diferente da do Brasil, com modelos ocidentais, enquanto por aqui mais de 70% são chineses.

Via BVRLA